A Hermès apresentou crescimento de 6% em suas vendas no primeiro trimestre de 2026, operando com taxas de câmbio constantes. O grupo francês atingiu uma receita consolidada de 4,1 bilhões de euros (R$ 24,1 bilhões), resultado impulsionado pelo desempenho robusto nos mercados das Américas e do Japão. Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (15), a empresa mantém sua trajetória de expansão mesmo sob os efeitos de um contexto geopolítico complexo.
Conforme o balanço financeiro, as Américas lideraram o crescimento global com uma alta de 17%. No Japão, o avanço foi de 10%, sustentado pela fidelidade dos clientes locais e pela renovação de unidades estratégicas como a loja Umeda Hankyu, em Osaka.
Segundo o comunicado da administração da maison, as flutuações cambiais geraram um impacto negativo de 290 milhões de euros, o que resultou em uma leve retração de 1% nas vendas quando convertidas para taxas correntes.
Atualmente, a situação no Oriente Médio reflete diretamente nos fluxos turísticos da Europa. Na França, as vendas recuaram 3%, movimento atribuído à menor circulação de visitantes estrangeiros em março. Axel Dumas, presidente executivo da Hermès, afirmou que a marca mantém o curso estratégico e aposta na qualidade e criatividade para enfrentar o ambiente de incertezas.
Desempenho por setores e produção
O segmento de Couro e Selaria apresentou alta de 9,4% no período. O sucesso de novos modelos como a bolsa Faubourg Express e o lançamento da linha Herbag 20 contribuíram para o resultado positivo. Para sustentar o momentum de vendas, a grife inaugurou no início de abril sua vigésima quinta oficina de produção de couro em Loupes, na região da Gironda.
Especialistas observam que a estratégia de verticalização da Hermès garante maior controle sobre o estoque e a exclusividade dos produtos. Além da unidade recém-aberta, o grupo planeja inaugurar novos centros de produção até 2030. Essa expansão visa atender à demanda persistente pelas coleções permanentes da casa.
Impacto geopolítico e setor de luxo
A região do Oriente Médio registrou queda de 6% nas vendas devido aos recentes desdobramentos políticos. Esse cenário afetou significativamente as atividades de atacado e as lojas em aeroportos. O setor de relógios também enfrentou dificuldades, com recuo de 3,7%, embora a marca tenha reforçado seu portfólio com novos modelos apresentados na feira Watches & Wonders, em Genebra.
Todavia, outros setores como Joalheria e Universo da Casa mantiveram crescimento de 7%. A fidelidade da base de clientes na China permitiu que a Ásia, excluindo o Japão, apresentasse uma leve alta de 2%, mesmo com a desaceleração em outras partes da região. A empresa destaca que seu modelo de negócios artesanal oferece uma resistência maior a crises cíclicas.
Responsabilidade social e sustentabilidade da Hermès
A Hermès distribuiu 328 milhões de euros aos seus funcionários no início deste ano como forma de partilha dos resultados obtidos em 2025. O montante inclui um bônus de 3 mil euros para cada trabalhador do grupo globalmente. No campo ambiental, a companhia atingiu a marca de 100% de eletricidade renovável em suas operações diretas.
Dessa forma, a grife projeta o restante de 2026 com confiança, ancorada no tema anual Venture beyond. A manutenção do controle sobre o know-how e a rede de distribuição equilibrada são os pilares para sustentar as metas de crescimento a médio prazo. O mercado financeiro aguarda agora a publicação dos resultados semestrais prevista para julho.
Fonte: Times Brasil