A operadora de planos de saúde Hapvida perdeu 91 mil beneficiários entre janeiro e maio deste ano, movimento que chama atenção por ocorrer justamente quando o setor de saúde suplementar volta a crescer.
Enquanto a maior operadora do país reduziu sua base de clientes, concorrentes como Amil, Bradesco Saúde e Porto Saúde ampliaram suas carteiras.
Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o setor adicionou 136 mil beneficiários líquidos somente em maio, alcançando 53,1 milhões de usuários, alta de 1,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
No mesmo período, a Hapvida perdeu mais 9 mil clientes, reduziu sua base para 8,5 milhões de vidas e viu sua participação de mercado cair para 16,1%.
| Operadora | Saldo em maio |
|---|---|
| Amil | +42 mil |
| Bradesco Saúde | +33 mil |
| Sistema Unimed | +20 mil |
| Porto Saúde | +15 mil |
| SulAmérica | +4 mil |
| Hapvida | -9 mil |
Concorrentes ganham espaço enquanto Hapvida recua
Assim, o desempenho da Hapvida destoou das demais grandes operadoras do país. Conforme os dados repassados pela reportagem, a Amil liderou o crescimento em maio, com 42 mil novos beneficiários, somando 270 mil vidas nos últimos 12 meses.
Já a Bradesco Saúde adicionou 33 mil clientes no mês e passou a crescer 10,2% na comparação anual. A Porto Saúde teve a expansão mais forte entre as principais empresas do setor, com alta de 20,8% na base de beneficiários.
A maior parte das perdas da Hapvida ficou concentrada na Notre Dame Intermédica, responsável pelas operações no Sul e no Sudeste do país, que perdeu 8,6 mil beneficiários somente em maio. No Nordeste, a base da companhia permaneceu praticamente estável.
Fatia encolhe
As dez maiores operadoras concentram 48,3% do mercado de saúde suplementar, e o restante fica distribuído entre centenas de empresas menores.
Ainda conforme os dados citados pela reportagem, a Bradesco Saúde aparece em segundo lugar no ranking, com 7,8% de participação, seguida pela Amil, com 6,7%. SulAmérica, Unimed Nacional e Unimed BH completam as posições seguintes, todas com fatias abaixo de 6%.
🔍 MLR é a sigla para Medical Loss Ratio, indicador que mede o percentual da receita de uma operadora de saúde consumido por despesas assistenciais, como consultas, exames e internações.
Bancos mantêm cautela para o próximo balanço
Segundo relatório do Citi datado desta terça-feira (14), a expectativa para o segundo trimestre da Hapvida segue moderada. O banco projeta perda de 38 mil beneficiários no período, além de piora de margem médica.
O Citi também estima Ebitda normalizado de R$ 614 milhões, prejuízo de R$ 250 milhões e R$ 350 milhões em despesas judiciais e multas aplicadas pela ANS.
Fonte: Times Brasil