Guerra com o Irã ameaça consequências catastróficas para o mercado de petróleo, diz CEO da Aramco

A guerra com o Irã ameaça provocar “consequências catastróficas” para o mercado global de petróleo, alertou o CEO da gigante petrolífera saudita Aramco.

Amin Nasser afirmou em teleconferência de resultados nesta terça-feira que o conflito provocou “uma reação em cadeia severa” e “um efeito dominó drástico” que vai além do transporte marítimo, atingindo também os setores de aviação, agricultura, automotivo e outras indústrias.

“Há consequências catastróficas para o mercado de petróleo global. Quanto mais tempo a interrupção durar, mais drásticas serão as consequências para a economia mundial”, disse. Ele acrescentou que se trata “de longe da maior crise” enfrentada pela indústria de petróleo e gás da região.

A refinaria de Ras Tanura, da Aramco, foi atingida por um projétil na semana passada, em meio a uma ampla onda de ataques iranianos com drones e mísseis contra países do Golfo, em resposta a ofensivas dos Estados Unidos e de Israel.

O preço do petróleo disparou diante dos temores sobre o fornecimento, mas recuou depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país atingiria o Irã “vinte vezes mais forte” caso Teerã tentasse interromper o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

Falando após a divulgação dos resultados anuais de 2025 da Saudi Aramco, que superaram as estimativas de analistas, Nasser alertou: “Com a atual crise geopolítica, os estoques globais, que já estão no menor nível em cinco anos, cairiam ainda mais rapidamente.”

Divulgação/Aramco

“A maior parte da capacidade ociosa global está concentrada nesta região, portanto é absolutamente crítico que a navegação seja retomada no Estreito de Ormuz.”

Na segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse à CNBC que os petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz “devem ter muito cuidado”.

“Enquanto a situação permanecer insegura, acho que todos os petroleiros, toda a navegação marítima, devem ser muito cautelosos”, afirmou Esmail Baghaei, que também é chefe do Centro de Diplomacia Pública.

Resultados anuais da Aramco

A gigante petrolífera estatal saudita reportou lucro líquido ajustado de US$ 104,7 bilhões no ano completo de 2025, o que classificou como um “crescimento robusto”, apesar de um período de volatilidade nos preços do petróleo.

O lucro ajustado do quarto trimestre foi de US$ 25,1 bilhões, ligeiramente acima da estimativa mediana de US$ 24,8 bilhões compilada pela companhia.

O fluxo de caixa livre no ano alcançou US$ 85,4 bilhões.

A empresa também anunciou um dividendo base de US$ 21,89 bilhões referente ao quarto trimestre, alta de 3,5% em relação ao ano anterior, a ser pago no primeiro trimestre de 2026. A companhia permanece entre as maiores pagadoras de dividendos do mundo e é uma fonte crucial de receitas para o Estado saudita.

As distribuições totais aos acionistas no ano chegaram a US$ 85,5 bilhões, enquanto a empresa continuou priorizando pagamentos aos investidores, mesmo com a queda dos preços do petróleo em 2025.

A Aramco também anunciou um programa de recompra de ações de até US$ 3 bilhões ao longo de 18 meses.

As ações da companhia subiram de forma acentuada nas últimas sessões, acompanhando a disparada dos preços do petróleo em meio ao temor de interrupções no fornecimento no Oriente Médio.

Fluxo de caixa

A Aramco gerou US$ 136,2 bilhões em fluxo de caixa operacional no ano passado, impulsionada, segundo a empresa, por produção estável e resultados fortes no segmento de downstream. Os investimentos de capital somaram US$ 52,2 bilhões, em linha com as projeções da companhia e ligeiramente abaixo dos níveis de 2024.

“Nossa alocação disciplinada de capital, combinada com operações altamente confiáveis e de baixo custo, impulsionou um forte desempenho financeiro em um ano marcado pela volatilidade de preços”, disse Nasser no comunicado de resultados.

O preço do petróleo em 2025 caiu para uma média de US$ 69,2 por barril, ante US$ 80,2 em 2024, refletindo um mercado mais fraco e o aumento da oferta global. Nos últimos dias, porém, a cotação do petróleo chegou a se aproximar de US$ 120 por barril à medida que a guerra no Oriente Médio se intensificou.

Fonte: Times Brasil

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