O Google apoiou a startup alemã Proxima Fusion, que busca construir a primeira usina comercial de fusão nuclear da Europa, em uma rodada de investimento de 411 milhões de euros (US$ 468 milhões), anunciou a empresa nesta terça-feira.
A fusão nuclear é o processo de combinar dois átomos de hidrogênio para formar um átomo de hélio, liberando grandes quantidades de energia.
Embora a tecnologia prometa uma fonte abundante de energia, ela ainda não foi implantada comercialmente, já que o setor corre para superar desafios técnicos. Todas as usinas nucleares em operação atualmente utilizam a fissão nuclear, que consiste na divisão de átomos.
Segundo a Proxima, que alcançou uma avaliação de mercado de US$ 2,7 bilhões, o investimento do Google reforça o interesse contínuo da empresa na fusão como uma potencial fonte de energia abundante, livre de carbono e estável no longo prazo.
A rodada foi liderada pela XTX Ventures e pela East X Ventures, com a RWE e o Google participando como investidores estratégicos. Outros fundos de capital de risco, como Plural, UVC Partners, Balderton e Cherry Ventures, também participaram.
“A Europa está competindo com os Estados Unidos e a China para construir a primeira usina de fusão”, afirmou Francesco Sciortino, cofundador e CEO da Proxima, em comunicado.
“O financiamento da Proxima demonstra que a Europa não apenas pode desenvolver tecnologias inovadoras, mas também construir empresas globalmente competitivas em torno delas”, acrescentou.
“Os investidores reconhecem tanto a urgência quanto a oportunidade do que estamos fazendo e estão apoiando nosso objetivo de desenvolver uma empresa de tecnologia energética que marcará uma geração.”
O que é a tecnologia de fusão por stellarator?
A Proxima está desenvolvendo a tecnologia stellarator, uma das poucas abordagens existentes para a fusão nuclear, e espera colocar em operação seu demonstrador de fusão — um projeto de prova de conceito que antecede uma usina comercial — no início da década de 2030.
A empresa informou que a usina comercial está prevista para entrar em operação na segunda metade da mesma década.
Segundo a Proxima, os recursos captados serão utilizados para ampliar a produção de cabos e ímãs supercondutores de alta temperatura (HTS, na sigla em inglês), além de desenvolver os sistemas de engenharia e manufatura necessários para os stellarators.
A empresa também afirmou que pretende ampliar as contratações nas áreas de engenharia, manufatura e operações para acelerar o desenvolvimento do projeto.
Como a Proxima se compara às startups de fusão dos Estados Unidos
Embora a Proxima seja, com ampla vantagem, a startup de fusão nuclear mais bem financiada da Europa, empresas americanas que atuam na mesma área captaram volumes significativamente maiores de recursos.
A Commonwealth Fusion Systems (CFS) levantou US$ 863 milhões em agosto, elevando o total de recursos captados para US$ 2,9 bilhões, segundo a Dealroom. Já a Helion Energy, apoiada por Sam Altman, arrecadou US$ 465 milhões no mês passado, alcançando um total de US$ 1,5 bilhão em investimentos.
O Google também é investidor da CFS e assinou, em junho de 2025, um acordo de compra de energia com a empresa para quando sua primeira usina comercial entrar em operação.
“A fusão tem um enorme potencial como fonte de energia do futuro: é limpa, abundante e inerentemente segura, além de poder ser construída praticamente em qualquer lugar”, afirmou o Google em uma publicação em seu blog na época.
Ao destacar os desafios que ainda precisam ser superados, a empresa acrescentou que, embora a fusão possa transformar o mundo, comercializar essa tecnologia é “imensamente desafiador, e o sucesso não é garantido”.
Fonte: Times Brasil