O setor industrial voltou a registrar perda de ritmo em outubro. Segundo os Indicadores Industriais divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira (9), o faturamento real do setor caiu 2,7%, marcando o terceiro mês consecutivo de queda.
A sequência negativa reduziu quase todo o avanço acumulado ao longo de 2025. Até julho, o setor ainda exibia crescimento de 4,6% frente ao ano anterior. Mas, após meses de desaceleração, o saldo positivo entre janeiro e outubro caiu para apenas 1,2%.
O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explica que a retração acompanha a menor demanda:
“Nos últimos meses, a indústria vem sentindo queda mais intensa na demanda por seus produtos. Naturalmente, esse recuo se reflete no faturamento do setor”, afirma.
Mercado de trabalho industrial também perde força
O enfraquecimento do faturamento atingiu o mercado de trabalho da indústria.
- O emprego caiu 0,3% em outubro.
- A massa salarial recuou 0,5%, acumulando queda de 2,4% no ano.
- O rendimento médio dos trabalhadores diminuiu 0,3% no mês e já soma retração de 4,2% em 2025.
Apesar disso, no acumulado do ano, o emprego industrial ainda registra alta de 1,9%, reflexo de contratações feitas no primeiro semestre.
Horas trabalhadas e capacidade instalada mostram pequeno alívio
Entre os poucos indicadores com desempenho positivo estão:
- Horas trabalhadas: aumento de 0,4% em outubro, segunda alta seguida. No ano, acumulam crescimento de 1,1%.
- Utilização da capacidade instalada (UCI): passou de 78,3% para 78,4%.
Mesmo com a leve melhora, o uso da capacidade ainda está abaixo do nível verificado em 2024 — em média, 0,9 ponto percentual menor.
Indústria enfrenta demanda fraca e custos elevados
A combinação entre juros altos, desaceleração do consumo e custos ainda pressionados tem dificultado a retomada da atividade industrial. Segundo analistas, a queda na renda das famílias e a redução no ritmo de produção das empresas explicam parte do enfraquecimento observado desde agosto.
Para a CNI, a recuperação dependerá de:
- melhora do crédito,
- redução de custos financeiros,
- retomada da demanda doméstica,
- e estímulos à competitividade industrial.
Enquanto esses fatores não se alinham, o setor segue mostrando um fechamento de ano marcado por perda de fôlego e crescimento abaixo do esperado.
Fonte: Times Brasil