ExxonMobil, Chevron, Shell, TotalEnergies e BP somaram cerca de US$ 46,7 bilhões em lucros reportados no segundo trimestre de 2026, período marcado pela alta do petróleo e pelas disrupções no mercado de energia provocadas pelo conflito no Oriente Médio.
Os resultados ganharam novo peso após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticar os ganhos da ExxonMobil e da Chevron em meio à alta dos combustíveis.
“Eles estão ganhando dinheiro demais por causa de uma escassez. Eu não gosto disso”, afirmou Trump a jornalistas na Casa Branca.
O petróleo WTI teve preço médio de fechamento de US$ 92,45 por barril entre abril e junho, alta de 27% em relação ao primeiro trimestre.
Exxon e Chevron puxam os lucros
Entre as cinco companhias, ExxonMobil e Chevron apresentaram os maiores lucros do trimestre.
A ExxonMobil registrou lucro de US$ 14,5 bilhões, mais do que o dobro dos cerca de US$ 7,1 bilhões apurados no mesmo período de 2025. A companhia também distribuiu US$ 9,4 bilhões aos acionistas, sendo US$ 4,3 bilhões em dividendos e US$ 5,1 bilhões em recompras de ações.
Na Chevron,o lucro passou de US$ 2,5 bilhões para US$ 12,1 bilhões na comparação anual. A produção global aumentou 20%, para pouco mais de 4 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
A companhia atribuiu a melhora principalmente aos preços mais altos das commodities, às margens maiores sobre os derivados e ao aumento dos volumes vendidos. Também reduziu a dívida total em US$ 8,4 bilhões no trimestre.
Parte dos ganhos vai para acionistas e dívida
Parte dos recursos também foi destinada à remuneração dos acionistas e à redução de dívidas.
A Shell reportou lucro atribuível aos acionistas de US$ 10,8 bilhões e anunciou um novo programa de recompra de ações de US$ 3 bilhões. A empresa também destacou produção recorde no segmento de exploração e produção no Brasil e utilização recorde de suas refinarias.
Na TotalEnergies, o lucro líquido atingiu US$ 5,4 bilhões, ante US$ 2,7 bilhões no segundo trimestre de 2025. A companhia elevou o dividendo do período em 5,9%, para € 0,90 por ação, reduziu a dívida líquida em US$ 3,3 bilhões e afirmou que o trimestre ocorreu em um ambiente de preços elevados relacionado ao conflito no Oriente Médio.
Já a BP registrou lucro reportado de US$ 3,9 bilhões, contra US$ 1,6 bilhão no mesmo período de 2025. A dívida líquida caiu de US$ 25,3 bilhões no fim de março para US$ 22,3 bilhões no fim de junho.
Pressão sobre os combustíveis
A alta dos combustíveis também entrou no debate sobre os resultados.
Em entrevista ao programa “Squawk Box Europe”, da CNBC, a CEO da BP, Meg O’Neill, reconheceu a pressão sobre os consumidores, mas ressaltou que a companhia opera em um mercado global.
“Entendo a pressão que uma família comum sente quando chega ao posto para abastecer e vê os preços. A realidade é que produzimos uma commodity global e o preço do produto que vendemos está ligado ao preço dessa commodity”, afirmou.
O’Neill acrescentou que a BP busca melhorar a confiabilidade dos ativos de produção e das refinarias para ampliar a disponibilidade dos produtos.
Fonte: Times Brasil