Exportações de carne brasileira à Argentina batem recorde no 1º semestre

As exportações brasileiras de carne bovina para a Argentina atingiram um recorde histórico no primeiro semestre de 2025. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (ABIEC), os embarques somaram 6.200 toneladas no período, contra apenas 146,4 toneladas no mesmo intervalo de 2024 — uma expansão superior a 4.100%.

O avanço está diretamente ligado à crise da pecuária argentina, agravada entre 2017 e 2024 por problemas climáticos que afetaram o crescimento das pastagens e reduziram o rebanho. Para evitar perdas maiores, muitos produtores anteciparam o abate de animais, alterando o ciclo de produção e diminuindo a oferta interna.

Abertura econômica e impacto no mercado

Outro fator decisivo foi a política econômica do presidente Javier Milei, que, desde o início do mandato, vem promovendo medidas de liberalização comercial e redução das barreiras à importação. A estratégia busca aumentar a concorrência, conter preços e combater a inflação, que esteve entre as mais altas do mundo nos últimos anos.

Além da carne bovina brasileira, a Argentina passou a comprar mais do Paraguai e do Uruguai. No entanto, o Brasil se destaca pela competitividade dos preços e pela capacidade de entrega em larga escala. No total, a Argentina importou cerca de 10 mil toneladas de carne bovina nos primeiros seis meses deste ano, sendo 62% de origem brasileira.

Cortes premium e diversificação

Apesar da resistência cultural — a carne é um dos símbolos nacionais da Argentina —, importações vêm ganhando espaço também no varejo e em restaurantes tradicionais, inclusive em Buenos Aires. O movimento abre espaço para que o país exporte cortes premium para outros mercados, aproveitando melhor o valor agregado.

Além da bovina, cresceram também as compras argentinas de carne suína e de aves brasileiras, impulsionadas pela alta de preços internos e pela competitividade do produto nacional.

Sustentabilidade do modelo

Especialistas alertam, porém, que a abertura comercial precisa vir acompanhada de investimentos internos para ganho de produtividade. Caso contrário, a entrada maciça de produtos importados pode pressionar a balança comercial e o câmbio, especialmente em um cenário de maior demanda por dólares para pagar importações.

Com a nova política cambial flutuante, que substituiu o antigo controle e o chamado “dólar blue” paralelo, a sustentabilidade dessa estratégia dependerá da capacidade da Argentina de manter a credibilidade da moeda e fortalecer a produção local.

Fonte: Times Brasil.

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