As exportações brasileiras de carne bovina registraram um desempenho recorde no primeiro semestre de 2026, impulsionadas pela antecipação de compras por parte da China e pela sólida demanda dos Estados Unidos. No entanto, o cenário sofreu uma forte reviravolta no terceiro trimestre, com os embarques de julho somando cerca de 258 mil toneladas, o que representa uma queda expressiva de 17% tanto em relação ao mês anterior quanto na comparação anual. As informações são do relatório Agroinfo, do Rabbobank.
Essa retração foi puxada principalmente pela queda de 48% nos volumes destinados à China, cujo acumulado no ano se aproximou de 857 mil toneladas, deixando a cota de salvaguarda chinesa perigosamente próxima do limite e esfriando o apetite de compra dos importadores asiáticos.
Para agravar o cenário externo, a partir de setembro as exportações para a União Europeia passarão por uma suspensão temporária que retirará cerca de 10 mil toneladas mensais do fluxo exportador. Embora o bloco europeu represente uma parcela menor em volume bruto, a interrupção afeta sensivelmente a rentabilidade da indústria por se tratar de um mercado de maior valor agregado. Em contrapartida, os Estados Unidos seguem firmes como o segundo principal destino da proteína brasileira, registrando um avanço de 17% no ano com importações próximas de 234 mil toneladas, enquanto nações como Chile, Japão e Coreia do Sul despontam como alternativas para a diversificação de mercados.
No mercado interno, a desaceleração das vendas externas já provocou uma correção nas cotações, levando o boi gordo a uma média de aproximadamente R$ 335,5 por arroba em julho, o segundo menor patamar mensal do ano. Contudo, uma derrocada mais acentuada dos preços é evitada por fundamentos sólidos do lado da oferta restrita, que incluem a menor entrada de bovinos em confinamento, a escassez de animais de reposição e a consolidação do período de retenção de fêmeas para reprodução, fatores que devem manter os preços sustentados até o final do ano.
Fonte: Times Brasil