O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE) alertou na quinta-feira (16) que a Europa pode ter apenas seis semanas restantes de combustível de aviação, enquanto o setor aéreo continua enfrentando dificuldades em meio à crise no Oriente Médio.
O diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, afirmou que o bloqueio do Estreito de Ormuz resultará na “maior crise energética que já enfrentamos”, em entrevista à Associated Press na quinta-feira.
“No passado havia um grupo chamado ‘Dire Straits’. Agora é um estreito realmente crítico, e isso terá grandes implicações para a economia global. E quanto mais tempo durar, pior será para o crescimento econômico e para a inflação ao redor do mundo”, disse.
Ele acrescentou que o impacto econômico mais amplo inclui “preços mais altos da gasolina, do gás e da eletricidade”, com algumas regiões sendo “mais afetadas do que outras”.
Birol já havia alertado anteriormente que a crise energética se agravaria em abril, à medida que as restrições na oferta de petróleo se intensificassem.
“Em abril, não há nada”, disse Birol no mês passado. “A perda de petróleo em abril será o dobro da perda de março. Além disso, há o GNL e outros fatores. Isso vai pressionar a inflação, reduzir o crescimento econômico em muitos países, especialmente nas economias emergentes. Em muitos lugares, o racionamento de energia pode estar próximo.”
‘Impactos econômicos severos’
Analistas fizeram alertas semelhantes à CNBC no início desta semana. Claudio Galimberti, economista-chefe da Rystad Energy, disse à CNBC, no programa “Europe Early Edition”, na terça-feira, que a situação enfrentada pelas companhias aéreas “depende basicamente de quantos barris passarão pelo estreito”.
Rico Luman, economista sênior do ING, afirmou ao programa “Squawk Box Europe”, também na terça-feira: “Estamos vendo essas embarcações pararem, então o fornecimento do Oriente Médio se esgotou, e precisamos de substituições”.
O transporte aéreo gera 851 bilhões de euros (quase US$ 1 trilhão) em Produto Interno Bruto para as economias europeias todos os anos e sustenta 14 milhões de empregos, segundo o ACI Europe.
A companhia aérea europeia EasyJet informou na quinta-feira que o conflito no Oriente Médio e o aumento dos custos de combustível estão impactando as reservas de passageiros, com queda de 2% nas compras de passagens para o final do ano em comparação com 2025.
Enquanto isso, a empresa de baixo custo afirmou ter arcado com cerca de £25 milhões (US$ 34 milhões) em custos adicionais de combustível apenas em março, além de ter protegido pelo menos 70% de seu consumo de combustível para o verão contra volatilidade.
A ACI Europe, que representa aeroportos em toda a União Europeia, afirmou na semana passada que a alta temporada de viagens no verão será afetada, com “impactos econômicos severos” para vários países-membros que dependem desse impulso econômico.
Fonte: Times Brasil