O avanço da judicialização da saúde no Brasil vem obrigando as empresas farmacêuticas a reavaliar seus modelos de negócios, com impactos diretos sobre contratos, estratégias de precificação e relacionamento com operadoras, hospitais e o setor público. O fenômeno, que já mobiliza centenas de milhares de ações judiciais no país, cria um ambiente de incerteza regulatória que afeta decisões de investimento e planejamento de longo prazo.
Conforme o presidente executivo do Sindusfarma, Nelson Mussolini, o problema não está apenas no volume de processos, mas na ausência de soluções estruturais. “A judicialização acontece quando o sistema não entrega o que foi contratado. O paciente recorre ao Judiciário para garantir um direito, mas isso desorganiza toda a lógica de planejamento do setor”, afirmou.
Esse cenário força as farmacêuticas a redesenhar contratos e mecanismos de negociação, buscando maior previsibilidade e compartilhamento de riscos com os sistemas público e privado. “São dois mercados completamente diferentes e não se pode tratá-los da mesma forma. Precisamos de soluções específicas para cada ambiente”, destacou Mussolini.
Na precificação, as empresas passam a considerar não apenas custos de produção e inovação, mas também o risco jurídico associado às decisões judiciais, que muitas vezes impõem a incorporação de tecnologias sem planejamento orçamentário. Isso afeta a sustentabilidade do setor e a capacidade de investir em novas pesquisas.
Para o executivo, o futuro do mercado farmacêutico depende de um modelo mais cooperativo. “Não adianta demonizar a indústria. É preciso diálogo entre empresas, operadoras, governo e sistema de saúde para construir regras que garantam acesso, inovação e sustentabilidade ao mesmo tempo”, concluiu.
Fonte: Times Brasil