O mercado acionário tem registrado interesse crescente pelas ações da Ambev, empresa dona da Skol, impulsionado principalmente pelas mudanças previstas na reforma tributária e pelas expectativas de distribuição antecipada de dividendos. Esse movimento elevou os preços dos papéis mesmo sem alterações relevantes nos indicadores internos da companhia.
Segundo os analistas da XP Investimentos, o avanço recente reflete um comportamento especulativo do mercado, motivado pela busca de proventos antes da tributação de 10% aplicada a pagamentos mensais superiores a R$ 50 mil a partir de 2026. A corretora afirma que os fundamentos não acompanharam a valorização observada desde outubro.
A XP destaca que o consumo de bebidas segue enfraquecido no Brasil, sem crescimento consistente de lucro ou receita. Com isso, a ação atingiu um múltiplo P/L projetado de 15,9 vezes para 2026, considerado elevado para o desempenho atual. Por esse motivo, a recomendação da corretora permanece de venda.
O relatório da XP utiliza dados recentes do IBGE que indicam queda anual de 1,3% na produção de bebidas alcoólicas em outubro. Apesar de o resultado ter vindo 4,1% acima das estimativas internas, a corretora revisou a projeção para o setor e agora prevê retração de 3,7% em 2025, além de consumo per capita estimado em 4,4 litros por pessoa.
Para a XP, ainda não está claro se a desaceleração da queda representa melhora do ambiente de consumo ou apenas uma antecipação de volumes por parte das fabricantes, prática comum em períodos de competição acirrada. Condições climáticas mais amenas também influenciaram o desempenho, segundo o monitoramento interno da corretora.
Outro ponto citado é o impacto dos casos de contaminação por metanol que circularam em outubro. Inicialmente, houve especulação de que a demanda por cerveja poderia crescer, mas os números mostram redução no sell-out ao consumidor final ao longo do mês.
De acordo com as análises das instituições financeiras, a valorização atual da Ambev se apoia mais em expectativas tributárias e decisões de alocação de capital do que em avanço do desempenho operacional.
Fonte: Times Brasil