A farmacêutica Eli Lilly anunciou nesta quinta-feira a aquisição da desenvolvedora de medicamentos psicodélicos AtaiBeckley por US$ 2,8 bilhões, reforçando a aposta no crescente mercado de tratamentos experimentais para transtornos de saúde mental.
Com a operação, a Lilly terá acesso ao principal candidato a medicamento da AtaiBeckley, um tratamento à base de DMT (dimetiltriptamina) que está em fase 3 de testes clínicos para pacientes com depressão resistente aos tratamentos convencionais.
A AtaiBeckley também desenvolve outros compostos psicodélicos voltados para doenças psiquiátricas, incluindo um medicamento baseado em MDMA, substância popularmente conhecida como ecstasy.
O principal ativo da empresa, chamado BPL-003, é um spray nasal derivado da dimetiltriptamina (DMT). O tratamento é administrado em clínicas especializadas, onde os pacientes permanecem sob observação por cerca de duas horas. Os primeiros resultados dos estudos de fase 3 são esperados para 2029.
A Eli Lilly pagará US$ 6,75 por ação, totalizando aproximadamente US$ 2,8 bilhões em dinheiro. O valor representa um prêmio de 26% em relação ao preço de fechamento das ações da AtaiBeckley na quarta-feira, quando os papéis encerraram o pregão cotados a US$ 5,36.
Além disso, a farmacêutica poderá desembolsar até US$ 2,50 adicionais por ação — cerca de US$ 1 bilhão — caso os medicamentos da empresa atinjam determinados marcos de desenvolvimento e obtenham aprovações regulatórias.
A aquisição é mais um indicativo do avanço do interesse pelos tratamentos baseados em psicodélicos. O governo do presidente Donald Trump tem priorizado o desenvolvimento de terapias desse tipo para doenças como depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
O negócio também amplia a série de aquisições realizadas pela Eli Lilly nos últimos meses. Antes de anunciar a compra da AtaiBeckley, a companhia já havia informado que pretendia investir mais de US$ 10 bilhões em pagamentos iniciais e até US$ 25 bilhões em oito aquisições ao longo deste ano.
Nos últimos anos, a farmacêutica passou a concentrar sua estratégia em aquisições de empresas com medicamentos em estágios mais avançados de desenvolvimento, operações geralmente mais caras do que as realizadas anteriormente. A mudança acompanha a consolidação da Eli Lilly como a empresa de saúde mais valiosa do mundo.
Após o anúncio da aquisição, as ações da AtaiBeckley chegaram a subir mais de 30% nas negociações do pré-mercado nos Estados Unidos.
Fonte: Times Brasil