A Eli Lilly anunciou nesta segunda-feira (20) a aquisição da Kelonia Therapeutics, biotech especializada em terapias contra o câncer. O acordo prevê pagamento inicial de US$ 3,25 bilhões, com valor total que pode chegar a US$ 7 bilhões (R$ 35 bilhões) dependendo do cumprimento de marcos clínicos, regulatórios e comerciais. A conclusão da transação está prevista para o segundo semestre de 2026.
A Kelonia desenvolve uma abordagem chamada in vivo CAR-T, que reprograma as células T do paciente diretamente dentro do corpo para que ataquem o tumor. A tecnologia representa uma alternativa ao método atual, no qual as células precisam ser retiradas do paciente, modificadas em laboratório e depois reintroduzidas no organismo, um processo considerado logisticamente complexo e de acesso restrito.
🔍 As células T são um tipo de célula do sistema imunológico responsável por identificar e combater células anormais, incluindo as cancerígenas. A terapia CAR-T consiste em reprogramar essas células para torná-las mais eficientes no combate ao câncer.
Aplicação e vantagens clínicas
Jacob Van Naarden, presidente de oncologia da Lilly e responsável pelo desenvolvimento corporativo, descreveu o tratamento da Kelonia como uma terapia administrada por via intravenosa em dose única, sem necessidade de pré-condicionamento do paciente.
“Ela age sobre as células T do seu corpo, as transforma para atacar o câncer internamente e não exige nenhum pré-condicionamento”, disse Van Naarden, que classificou os dados clínicos da Kelonia como “nada menos que notáveis”.
O executivo afirmou ainda que a aquisição posiciona a Lilly no segmento de hematologia com um produto de uso amplo, sem as restrições logísticas das terapias ex vivo, hoje disponíveis principalmente em centros médicos acadêmicos especializados.
Mercado aquecido em CAR-T
A movimentação da Lilly ocorre em um mercado que já acumula apostas bilionárias. O tratamento CAR-T da Johnson&Johnson para mieloma múltiplo, o Carvykti, registrou vendas de US$ 1,89 bilhão no ano passado. A Gilead, por sua vez, adquiriu recentemente a Arcellx e seu medicamento rival, o anito-cel, em negócio avaliado em US$ 7,8 bilhões.
🔍 As células T são um tipo de glóbulo branco do sistema imunológico, responsável por identificar e destruir células anormais, incluindo as cancerígenas. Elas não se confundem com células-tronco: enquanto as células-tronco têm a capacidade de se transformar em diferentes tipos celulares, as células T têm uma função específica de defesa do organismo. Na terapia CAR-T, essas células são reprogramadas geneticamente para reconhecer e atacar o tumor com mais precisão. A inovação da Kelonia está em fazer essa reprogramação diretamente dentro do corpo do paciente, eliminando o processo laboratorial que o método convencional exige.
Fonte: Times Brasil