Dependência do trigo importado pode pressionar preço do pão francês

Apesar do avanço da produção nacional de trigo, o Brasil ainda depende das importações para atender a demanda interna, cenário que mantém a cadeia de panificação exposta às oscilações do mercado internacional e pode pressionar o preço do pão francês.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra brasileira de trigo alcançou cerca de 7,8 milhões de toneladas em 2025, um crescimento de 3,7% em relação ao ano anterior. Ainda assim, o volume não é suficiente para abastecer o consumo doméstico, o que obriga o país a importar milhões de toneladas do cereal anualmente.

Essa dependência torna a cadeia mais sensível à valorização do dólar, às condições climáticas dos principais países exportadores e às oscilações nas cotações internacionais, fatores que impactam diretamente o custo da farinha e, consequentemente, dos produtos de panificação.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), o consumo médio de pão no Brasil é de aproximadamente 31 quilos por pessoa ao ano. O mercado é atendido por mais de 80 mil padarias espalhadas pelo país, o que reforça a relevância econômica e social do cereal para o foodservice.

Produtividade é o principal desafio

Para especialistas, reduzir a dependência das importações passa menos pela expansão da área plantada e mais pelo aumento da produtividade das lavouras.

Na avaliação de Francisco de Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, práticas de manejo adequadas e investimentos em tecnologia podem elevar a qualidade dos grãos e aumentar a eficiência da produção nacional.

“O desafio não é apenas plantar mais trigo, mas produzir mais e melhor. Um manejo eficiente contribui para elevar a produtividade, aumentar a qualidade dos grãos e fortalecer toda a cadeia produtiva”, afirma.

Panificação lidera o consumo de farinha

A maior parte da farinha de trigo produzida no Brasil tem como destino a indústria de panificação. Dados da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), citados pela Embrapa, indicam que cerca de 55% da farinha nacional é utilizada na fabricação de pães.

O restante abastece segmentos como massas, biscoitos, confeitaria, consumo doméstico e outras aplicações industriais.

Cerrado amplia perspectivas para a cultura

Historicamente concentrada no Paraná e no Rio Grande do Sul, a produção de trigo começa a avançar para novas regiões, especialmente no Cerrado. O desenvolvimento de cultivares adaptadas a diferentes condições climáticas e a adoção de tecnologias de manejo ampliam o potencial de expansão da cultura no país.

Segundo especialistas, esse movimento pode contribuir para reduzir a dependência do mercado externo no médio e longo prazo, desde que seja acompanhado por ganhos de produtividade e qualidade.

Enquanto isso, a necessidade de importar trigo continua sendo um fator de pressão para toda a cadeia, desde moinhos e indústrias até padarias e operadores de foodservice, que podem enfrentar novos aumentos de custos sempre que houver instabilidade no mercado internacional.


Fonte: Portal do Agronegócio

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