Ao longo de 2025, os deepfakes avançaram rapidamente em realismo, escala e acessibilidade, tornando rostos, vozes e performances geradas por inteligência artificial cada vez mais difíceis de distinguir de registros reais. O uso da tecnologia para fraudes, desinformação e golpes financeiros se intensificou.
Em situações comuns, como chamadas de vídeo de baixa resolução e conteúdos distribuídos em redes sociais, o nível de fidelidade já é suficiente para enganar usuários sem conhecimento técnico. Na prática, mídias sintéticas tornaram-se indistinguíveis de gravações autênticas para o público em geral e, em alguns casos, também para processos institucionais.
O crescimento não se limita à qualidade. Segundo a empresa de cibersegurança DeepStrike, o número de deepfakes online saltou de cerca de 500 mil em 2023 para aproximadamente 8 milhões em 2025, o que representa uma taxa de crescimento anual próxima de 900%.
Especialistas avaliam que o cenário tende a se agravar em 2026, com a evolução dos deepfakes para síntese em tempo real, permitindo a criação de personagens digitais capazes de interagir ao vivo.
Avanços técnicos reduzem sinais de detecção
Três mudanças tecnológicas explicam esse avanço.
A primeira é o salto no realismo dos vídeos, impulsionado por modelos capazes de manter consistência temporal. Essas ferramentas produzem imagens com movimentos contínuos, identidades estáveis e coerência entre quadros, eliminando distorções que antes facilitavam a identificação de deepfakes.
A segunda é a evolução da clonagem de voz. Atualmente, poucos segundos de áudio são suficientes para gerar vozes artificiais com entonação, ritmo e emoção naturais. Esse avanço já impacta o setor corporativo. Grandes varejistas relatam receber mais de mil chamadas fraudulentas geradas por IA por dia.
O terceiro fator é a popularização de ferramentas de IA para o consumidor final. Soluções como OpenAI Sora 2 e Google Veo 3, além de novas startups, permitem criar conteúdo audiovisual sofisticado em minutos, com roteiros, vozes e imagens gerados automaticamente. A produção de deepfakes em escala tornou-se tecnicamente acessível.
Impacto direto sobre empresas e instituições
A combinação de volume elevado e personagens digitais altamente realistas dificulta a verificação de autenticidade, especialmente em um ambiente de informação acelerado. Casos de fraude financeira, assédio direcionado e campanhas de desinformação já foram registrados antes que sistemas de checagem conseguissem reagir.
Analistas destacam que, com o avanço da síntese em tempo real, os riscos se ampliam para videoconferências corporativas, processos de autenticação, atendimento ao cliente e operações financeiras remotas.
Defesa migra para soluções de infraestrutura
A expectativa para 2026 é de que os deepfakes avancem para avatares digitais interativos, capazes de reagir instantaneamente a estímulos humanos. Com isso, a avaliação visual ou auditiva feita por pessoas deixa de ser suficiente.
A proteção passa a depender de infraestrutura tecnológica, como assinaturas criptográficas de mídia, sistemas de proveniência de conteúdo e ferramentas de análise forense multimodal. Iniciativas como os padrões da Coalition for Content Provenance and Authenticity (C2PA) ganham relevância nesse contexto.
Para empresas, reguladores e plataformas, o desafio deixa de ser apenas tecnológico e passa a ser estratégico, envolvendo governança, segurança da informação e confiança digital.
Fonte: Times Brasil