A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros passou a valer nesta quarta-feira (22/7) e amplia a pressão sobre setores da indústria de Minas Gerais. De acordo com um levantamento do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, o CIN/FIEMG, os 15 principais produtos afetados somaram cerca de US$ 234 milhões em exportações aos Estados Unidos em 2025.
| SH6 | Produto | Exportações de MG em 2025 | Participação de MG no Brasil |
|---|---|---|---|
| 150210 | Sebo de bovinos, ovinos ou caprinos | US$ 33,96 milhões | 7,96% |
| 853620 | Disjuntores para tensão igual ou inferior a 1 kV | US$ 32,90 milhões | 97,21% |
| 330590 | Outras preparações capilares | US$ 22,25 milhões | 58,56% |
| 710399 | Outras pedras preciosas ou semipreciosas trabalhadas | US$ 21,34 milhões | 71,75% |
| 681591 | Obras contendo magnesita, dolomita ou cromita | US$ 19,15 milhões | 99,93% |
| 902139 | Válvulas cardíacas, lentes intraoculares e outros aparelhos de prótese | US$ 16,99 milhões | 77,73% |
| 220710 | Álcool etílico não desnaturado, teor igual ou superior a 80% | US$ 15,74 milhões | 9,66% |
| 691090 | Pias, lavatórios, banheiras, bidês e artigos sanitários de cerâmica | US$ 10,11 milhões | 72,96% |
| 040721 | Ovos frescos de galinhas | US$ 10,02 milhões | 25,60% |
| 690210 | Tijolos, placas, ladrilhos e peças refratárias com magnésio, cálcio ou cromo | US$ 9,97 milhões | 99,98% |
| 720221 | Ferrossilício com mais de 55% de silício | US$ 9,16 milhões | 59,17% |
| 680300 | Ardósia natural trabalhada e obras de ardósia | US$ 8,84 milhões | 99,90% |
| 901839 | Agulhas, cateteres, sondas e semelhantes para uso médico ou veterinário | US$ 8,29 milhões | 60,72% |
| 170114 | Outros açúcares de cana | US$ 8,19 milhões | 5,94% |
| 710391 | Rubis, safiras e esmeraldas trabalhados | US$ 7,13 milhões | 89,79% |
Dados: Centro Internacional de Negócios da FIEMG, referentes a 2025. SH6 corresponde à classificação do Sistema Harmonizado com seis dígitos.
Sebo e disjuntores lideram lista de produtos afetados
De acordo com o CIN/FIEMG, os maiores valores estão concentrados no sebo de bovinos, ovinos ou caprinos, com quase US$ 34 milhões, e nos disjuntores de baixa tensão, com aproximadamente US$ 33 milhões. Em seguida aparecem preparações capilares, com pouco mais de US$ 22 milhões, pedras preciosas ou semipreciosas trabalhadas, com cerca de US$ 21 milhões, e obras contendo magnesita, dolomita ou cromita, com aproximadamente US$ 19 milhões.
A participação de Minas Gerais nas exportações brasileiras de alguns desses produtos reforça a dimensão do impacto para o estado. O levantamento aponta que Minas respondeu por mais de 99% do valor exportado pelo Brasil de obras contendo magnesita, dolomita ou cromita, de tijolos, placas e peças refratárias selecionadas, e de ardósia trabalhada. Nos disjuntores de baixa tensão, a participação mineira superou 97% do valor embarcado.
Ainda conforme a federação, o ato que entra em vigor nesta quarta-feira estabelece um período de transição para cargas já embarcadas. Mercadorias que iniciaram o transporte antes de 22 de julho podem ficar livres da nova cobrança, desde que ingressem para consumo no mercado americano antes de 29 de julho.
Lista de exceções preserva maior parte da pauta mineira
A nova tarifa não alcança toda a pauta exportadora de Minas Gerais. Café verde, ferro-gusa, ferronióbio, ferrossilício-manganês, ouro, carne bovina, celulose, mel natural e determinados produtos químicos estão entre os itens isentos, segundo o CIN/FIEMG.
O ferro-gusa, inicialmente considerado um dos produtos mineiros mais expostos, acabou incluído entre as exceções. Em 2025, as exportações do produto somaram pouco mais de US$ 1 bilhão, com Minas Gerais respondendo por quase 73% do valor total exportado pelo Brasil.
O café verde também foi preservado. As exportações mineiras do produto alcançaram aproximadamente US$ 1,6 bilhão em 2025 e representaram cerca de 83% do valor embarcado pelo país. O ferronióbio, com vendas superiores a US$ 200 milhões e participação mineira próxima de 94% em relação ao montante nacional, também integra a relação de produtos isentos.
Na seleção apresentada pelo CIN/FIEMG, os 15 principais produtos mineiros isentos totalizaram cerca de US$ 3,3 bilhões em exportações em 2025, valor superior aos aproximadamente US$ 234 milhões registrados pelos 15 principais itens afetados.
Apesar das exceções, a federação avalia que a tarifa de 25% pode pressionar preços, margens e contratos das empresas atingidas. Em mercados nos quais existem fornecedores de diferentes países, a cobrança pode reduzir a competitividade do produto mineiro, estimular a substituição da origem das importações ou levar compradores americanos a exigir renegociação de valores e condições comerciais.
Tarifaço adicional de 12,5% preocupa federação
A entidade acompanha com atenção um novo anúncio previsto para sexta-feira (24/7) relacionado à investigação americana sobre importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O Brasil foi incluído no grupo para o qual o USTR propôs uma tarifa adicional de 12,5%. Caso a nova cobrança seja confirmada, acumulada aos 25% já em vigor e aplicada aos mesmos produtos, o adicional pode chegar a 37,5%.
Sobre o tema, avalia Verônica Ribeiro Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do CIN/FIEMG: “a combinação das medidas pode colocar produtos brasileiros em desvantagem significativa diante dos principais concorrentes internacionais, e essa diferença pode pesar diretamente na escolha do importador. A preocupação não está apenas no tamanho da tarifa, mas na diferença de tratamento entre fornecedores que disputam os mesmos compradores. O momento exige negociação, clareza nas regras e previsibilidade para preservar contratos e mercados”.
Federação defende negociação e diversificação de mercados
O CIN/FIEMG defende a continuidade das negociações entre os governos brasileiro e americano, a ampliação das exceções e regras claras sobre a eventual acumulação das tarifas. Para a entidade, também é necessário avaliar medidas de apoio às empresas mais expostas e alternativas de diversificação dos mercados de destino.
Fonte: Times Brasil