A expansão da inteligência artificial aumenta a demanda por data centers e, com ela, a necessidade de sistemas para controlar o calor gerado pelos equipamentos. Nesse processo, os PFAS, conhecidos como “químicos eternos”, ganham espaço em tecnologias de refrigeração.
Um relatório da organização ChemSec aponta que grandes produtores mundiais de PFAS estão ampliando a capacidade de produção diante da demanda relacionada à infraestrutura de inteligência artificial. Além disso, entre as empresas citadas estão a japonesa Daikin, a francesa Arkema e a americana Chemours.
Segundo a Fortune, a demanda está concentrada principalmente em três áreas: refrigeração de data centers, fabricação de semicondutores e produção de materiais para baterias de íon-lítio.
Como os PFAS são usados nos data centers
Os equipamentos utilizados para processamento de I.A geram grandes quantidades de calor. Dessa forma, para controlar a temperatura, sistemas mais recentes podem utilizar substâncias químicas fluoradas que incluem PFAS, em vez de água.
A alternativa aparece enquanto o consumo de água se tornou uma das preocupações relacionadas à expansão dos data centers. Porém, os PFAS também geram questionamentos por sua resistência à degradação.
As fortes ligações químicas dessas substâncias dificultam sua decomposição no ambiente. Essa característica favorece aplicações industriais, incluindo sistemas de refrigeração, fabricação de semicondutores e equipamentos industriais. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição dos Estados Unidos, citados pela Fortune, encontraram PFAS no sangue de 97% dos americanos.
Produção cresce com a inteligência artificial
O avanço da I.A também impulsiona a construção de data centers. Um estudo de 2026 da BOMA apontou que essas instalações representaram quase 46% da construção privada nos Estados Unidos em 2025. Uma década antes, a participação era inferior a 5%.
Segundo dados da Statista citados pela Fortune, os gastos com construção de data centers passaram de US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 9,25 bilhões) em 2014 para US$ 41,1 bilhões (R$ 211,34 bilhões) em 2025.
A ChemSec afirma que a Chemours produz ou utiliza mais substâncias PFAS do que qualquer outra empresa analisada pela organização. A companhia também desenvolve produtos para refrigeração de data centers e amplia a produção de refrigerantes à base de PFAS.
A organização estima que entre metade e dois terços da receita de US$ 5,8 bilhões (R$ 29,82 bilhões) da Chemours venham da produção de PFAS. A Daikin, segundo o relatório, pretende triplicar sua capacidade de produção em resposta à demanda do setor de semicondutores. A Arkema também iniciou uma expansão na América do Norte e na Ásia.
Uso de PFAS provoca reação
Em julho, 17 organizações ambientais enviaram uma carta à Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) contra o pedido da Chemours para acelerar a aprovação do Opteon 2P50, composto PFAS destinado a sistemas de refrigeração de data centers.
Os grupos afirmaram que a empresa teria subestimado possíveis riscos à saúde e ao clima e questionaram as evidências toxicológicas disponíveis. Segundo a carta, data centers de hiperescala podem armazenar dezenas de milhares de litros de fluido dielétrico em centenas de tanques.
A Chemours contestou as preocupações. Segundo a empresa, o sistema funciona em circuito fechado e libera pouca quantidade de gás durante a operação. A companhia também lançou novos refrigerantes em agosto.
Em janeiro, 192 cidadãos franceses e quatro organizações ambientais entraram com uma ação contra Arkema e Daikin por alegações de poluição relacionada a PFAS. A Arkema afirmou que se defenderá das acusações, enquanto a Daikin declarou que acelerou investimentos desde 2022 para controlar melhor suas emissões.
Segundo uma análise da ChemSec de 2023, os maiores fabricantes de PFAS tiveram cerca de US$ 4 bilhões (R$ 20,57 bilhões) em lucros em 2022, enquanto os custos sociais associados às substâncias foram estimados em US$ 17,5 trilhões (R$ 89,98 trilhões) por ano.
Assim, a expansão da I.A cria uma demanda adicional por sistemas de refrigeração capazes de lidar com o calor dos equipamentos. Ao mesmo tempo, o uso de PFAS adiciona uma nova preocupação ambiental à construção acelerada de data centers.
Fonte: Times Brasil