A crise hídrica em São Paulo voltou depois de dez anos e já pressiona diversos setores da economia, entre eles, um dos mais preocupados é o agronegócio do estado. A combinação de chuvas irregulares, calor intenso e de reservatórios nos níveis mais baixos desde 2013 afeta culturas estratégicas e aumenta a incerteza sobre a produção dos próximos meses, especialmente em cadeias como cana-de-açúcar e citricultura.
Francisco Matturro, vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e ex-secretário da Agricultura de São Paulo, afirmou ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC que o cenário é preocupante e depende pouco de decisões de curto prazo.
“Hoje nós temos sérios problemas de precipitação pluviométrica no estado. As chuvas estão absolutamente irregulares, falta volume, e isso já traz impactos diretos para culturas que estão em fase de vegetação, como a cana-de-açúcar, além da citricultura, que sofre muito com a falta d’água”, afirmou.
Segundo Matturro, mesmo onde há irrigação, a cobertura ainda é limitada no estado. “Existe irrigação, claro, mas ainda é uma parcela pequena. E o problema não é só no campo. Nas áreas urbanas, os reservatórios estão vazios e a recarga só acontece com chuvas fortes, o que pode ocorrer apenas até o fim de fevereiro. É uma situação difícil, que neste momento só a natureza pode resolver”, disse.
Impactos da crise hídrica no agronegócio paulista
No campo, os efeitos da crise hídrica já começam a aparecer. A cana-de-açúcar, uma das principais culturas do estado, atravessa um período crítico de desenvolvimento vegetativo.
A irregularidade das chuvas compromete o crescimento da planta e pode afetar tanto a produtividade quanto o teor de açúcar na próxima safra.
A citricultura enfrenta situação semelhante. Dependente de chuvas regulares, o setor sente os efeitos da escassez de água, especialmente em áreas não irrigadas. Em um estado onde a irrigação ainda não é predominante, a falta de precipitação aumenta o risco de perdas e eleva os custos de produção.
A citricultura é a atividade agrícola voltada ao cultivo de frutas cítricas, como laranja e limão, e depende fortemente do regime de chuvas, já que a maior parte dos pomares em São Paulo não é irrigada. Por isso, períodos de estiagem e irregularidade climática tendem a afetar diretamente a produtividade.
São Paulo concentra cerca de 75% da produção nacional de laranja e abriga o principal polo mundial de suco concentrado e congelado, com forte peso nas exportações e na geração de empregos. Assim, impactos sobre a citricultura têm reflexos que vão além do campo, atingindo a indústria, a balança comercial e a arrecadação do estado.
Além do impacto direto nas lavouras, a pressão sobre os sistemas urbanos também afeta o agronegócio indiretamente, ao aumentar disputas pelo uso da água e exigir medidas de restrição que podem atingir regiões produtivas.
Fonte: Times Brasil