Correios em crise: entenda o que fez o governo pedir ajuda à Caixa em operação de emergência

O governo federal acionou a Caixa Econômica Federal para tentar destravar o empréstimo de R$ 20 bilhões solicitado pelos Correios.

A medida foi tomada após o Tesouro Nacional rejeitar a proposta apresentada por cinco bancos, considerada cara demais, mesmo com garantia da União.

Segundo a reportagem publicada no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a operação é tratada como urgente dentro do Planalto, já que a estatal enfrenta dificuldades para honrar salários e compromissos imediatos às vésperas do Natal, período de maior demanda.

O que aconteceu?

Os Correios acumulam prejuízos desde 2022 e registram déficit de R$ 6,1 bilhões até setembro deste ano. A necessidade de capitalização é discutida internamente há mais de um ano, mas a situação se agravou com a proximidade do pagamento da segunda parcela do 13º salário, que vence em 20 de dezembro, além da folha regular do mês.

Sem a entrada imediata dos recursos, existe risco real de atraso nos salários e de impacto direto no funcionamento da estatal no período mais sensível do ano para o setor de entregas.

Negociações emperradas

A proposta inicial para financiar os Correios partiu de um consórcio formado por BB, BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Safra. Os bancos pediram juros próximos de 136% do CDI, cerca de 20% ao ano.

Já o Tesouro considerou a taxa incompatível com uma operação garantida pela União, que reduz drasticamente o risco de inadimplência.

A área econômica defende limite máximo de 120% do CDI, hoje perto de 18% ao ano. Diante do impasse, a Casa Civil intensificou a pressão sobre a Caixa, que havia participado apenas das conversas preliminares e demonstrava resistência em assumir o financiamento. A instituição passou a sinalizar disposição em negociar dentro dos parâmetros definidos pelo governo.

Alternativas em análise e impasses no Tesouro

Além do empréstimo, o governo avalia um possível aporte direto do Tesouro, uma das opções é o crédito extraordinário, mecanismo que permite liberação rápida de recursos em situações urgentes e imprevisíveis.

Técnicos da equipe econômica admitem, porém, dificuldade para justificar a imprevisibilidade exigida pela Constituição, já que os problemas financeiros da empresa são conhecidos há anos.

A alternativa tradicional, o envio ao Congresso de um projeto de crédito especial, já está descartada, já que, a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2025 estabeleceu 29 de novembro como prazo final para essas solicitações.

Para reabrir a janela seria necessário aprovar nova lei e sancioná-la antes do pedido, processo considerado inviável até o fim do ano.

Plano de reestruturação e pressões do calendário

O empréstimo solicitado faz parte do plano de reestruturação da estatal para 2026, que projeta necessidade total de R$ 20 bilhões.

As medidas incluem renegociação de dívidas, novo programa de desligamento voluntário com meta de cortar ao menos dez mil postos, revisão da estrutura de cargos e salários e ajustes no plano de saúde dos funcionários.

Integrantes do governo afirmam que a situação pode se deteriorar rapidamente caso não haja definição até o limite de 20 de dezembro. O atraso colocaria pressão adicional sobre o Correios, já fragilizado e com dificuldades contínuas para equilibrar suas contas.

Aporte emergencial aos Correios pode sair ainda em 2025? Veja o que diz Haddad

O aporte do Tesouro Nacional aos Correios deve ficar abaixo dos R$ 6 bilhões inicialmente cogitados pela estatal, disse nesta segunda-feira (8) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Segundo ele, o governo ainda avalia alternativas para reforçar o caixa da empresa, incluindo a possibilidade de combinar o aporte com um empréstimo, que pode ser liberado ainda este ano, embora não haja decisão final.

Haddad destacou que há espaço fiscal em 2025 para um aporte, mas reforçou que a medida não está definida. O ministro reiterou que qualquer ajuda financeira será condicionada ao plano de reestruturação da estatal.

De acordo com Haddad, o aporte de R$ 6 bilhões não deve se confirmar nessa quantia. “Esse valor, não. É valor inferior a esse pelo que eu sei”, declarou.

Inicialmente, os Correios cogitavam receber um reforço de caixa de R$ 6 bilhões do Tesouro para cobrir o prejuízo do mesmo valor acumulado de janeiro a setembro. O aporte pode ser viabilizado por meio de crédito extraordinário ou via Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN), caso o governo considere necessário. Ambas as alternativas continuam em avaliação pela equipe econômica.

Fonte: Times Brasil

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