A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para baixo a projeção da safra brasileira de cana-de-açúcar 2026/27 no levantamento de agosto, com redução de 3,9 milhões de toneladas em relação à estimativa divulgada em abril.
O dado mais relevante, porém, está na mudança do mix produtivo: a previsão para o açúcar caiu, enquanto a produção de etanol foi elevada.
A produção nacional de cana passou de uma estimativa de 709,1 milhões de toneladas em abril para 705,2 milhões de toneladas em agosto, queda de 0,55%.
A área plantada foi revisada de 9,12 milhões para 9,05 milhões de hectares, enquanto a produtividade média teve leve alta, de 77.753 quilos por hectare para 77.905 quilos por hectare.
O ajuste mais expressivo ocorreu na destinação da matéria-prima. A previsão para a produção de açúcar caiu de 43,95 milhões de toneladas para 42,89 milhões de toneladas, redução de 1,07 milhão de toneladas, ou 2,4%, entre os dois relatórios.
Com isso, a Conab passou a projetar uma queda de 2,9% na produção de açúcar em relação à safra 2025/26. No levantamento de abril, a estimativa apontava uma redução bem menor, de 0,5%.
Na direção oposta, a previsão para a produção de etanol de cana foi elevada de 29,26 bilhões de litros para 29,98 bilhões de litros, aumento de 717 milhões de litros, ou 2,5%.
A principal mudança ocorreu no etanol hidratado, cuja estimativa passou de 18,29 bilhões de litros em abril para 19,60 bilhões de litros em agosto. A projeção de crescimento em relação à safra anterior, que era de 6,3%, foi revisada para 13,9%.
Já a previsão para o etanol anidro caiu de 10,97 bilhões para 10,38 bilhões de litros, redução de 5,4% entre os dois levantamentos.
Outro indicador que reforça a revisão é o ATR, o açúcar total recuperável, que caiu de 94,89 milhões de toneladas para 93,72 milhões de toneladas.
A redução de 1,2% mostra que o ajuste da safra também veio acompanhado de uma menor disponibilidade de matéria-prima para a produção de açúcar.
O movimento indica uma mudança no mix projetado pelas usinas entre abril e agosto, com maior direcionamento da cana para o etanol e menor produção de açúcar. A Conab, no entanto, não atribui explicitamente a revisão a uma causa específica, apenas apresenta a mudança nas projeções de produção.
No cenário de mercado, o levantamento de agosto destaca que os preços internacionais do açúcar voltaram a subir, em meio a expectativas de maior restrição da oferta global e riscos climáticos nas principais regiões produtoras.
Ao mesmo tempo, o mercado de etanol permanece favorecido pela demanda doméstica, especialmente após o aumento do percentual obrigatório de mistura do etanol anidro na gasolina, que passou de E30 para E32 no final de julho.
Fonte: Times Brasil