O gestor de fundos de hedge Brian Kelly estima que reduziu de cerca de US$ 5 milhões (cerca de R$ 25,52 milhões) para entre US$ 30 mil (R$ 153 mil) e US$ 40 mil (R$ 204 mil) por ano os custos relacionados à operação de sua empresa de negociação, a Bracket22. A queda ocorreu depois que ele estruturou o negócio para funcionar com agentes de inteligência artificial (I.A.).
Antes da mudança, Kelly mantinha uma equipe de sete ou oito funcionários espalhados pelo mundo, incluindo profissionais em Nova York. Segundo ele, salários, computadores, plano de saúde, espaço de escritório e bônus levavam os gastos relacionados à mão de obra para aproximadamente US$ 5 milhões (R$ 25,528 milhões) por ano.
Agora, o gestor afirma que desembolsa entre US$ 30 mil (R$ 153 mil) e US$ 40 mil (R$ 204 mil) anuais para manter a estrutura baseada em I.A. O valor inclui os agentes, o poder computacional e os recursos necessários para reproduzir, segundo sua avaliação, uma operação semelhante à de um fundo de hedge.
Como os agentes de I.A. trabalham
A Bracket22 não concentra todas as tarefas em um único sistema. Kelly criou agentes especializados para diferentes etapas do processo de análise e negociação. Um deles, chamado “Steffi”, atua na análise técnica. “Desmond” fica responsável pelas estratégias quantitativas. Já “Houston” funciona como um centro de controle, coordenando as operações.
Kelly explicou que separou os agentes por especialidade para obter avaliações independentes sobre suas decisões. Dessa forma, cada sistema analisa o mercado a partir de uma função específica, enquanto o gestor reúne as informações antes de definir o que fazer.
Apesar do alto grau de automação, Kelly não deixou a decisão final nas mãos da I.A. Ele afirma que utiliza seu próprio julgamento e discernimento para decidir sobre os investimentos. A estrutura também permite que a operação funcione continuamente. Segundo o gestor, a Bracket22 mantém uma atuação 24 horas por dia, sete dias por semana, sem a necessidade de reproduzir a antiga estrutura de funcionários.
Bracket22 atua em três mercados
A empresa surgiu depois que Kelly encerrou seu fundo de hedge de criptomoedas no início de 2025. Mais tarde naquele ano, ele começou a testar o uso de inteligência artificial. Atualmente, a Bracket22 utiliza apenas o capital próprio de Kelly. A empresa negocia criptomoedas, ações e commodities, reunindo diferentes classes de ativos em uma mesma operação.
Kelly, que também foi trader no programa “Fast Money”, da CNBC, avalia que os agentes aumentaram sua produtividade em pelo menos dez vezes. Para ele, porém, o potencial da tecnologia vai além de substituir funcionários. O gestor defende que empresas podem utilizar agentes de I.A. para ampliar a capacidade de suas próprias equipes.
Nesse modelo, a tecnologia funcionaria como uma extensão do trabalho humano. Uma equipe de 100 pessoas, por exemplo, poderia ter uma capacidade de trabalho muito maior com o apoio de agentes, segundo a avaliação de Kelly.
I.A. avança em Wall Street
O experimento da Bracket22 ocorre enquanto grandes instituições financeiras também ampliam os testes com inteligência artificial. Em fevereiro, o CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, afirmou que a tecnologia já estava transformando a força de trabalho do banco. A instituição também planejava lançar agentes de I.A. capazes de trabalhar de forma autônoma durante horas.
O Morgan Stanley também passou a direcionar parte de suas atividades para sistemas de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o avanço da tecnologia provoca preocupações entre profissionais do setor. Um sócio do Goldman Sachs alertou recentemente para o risco de a dependência da I.A. enfraquecer as habilidades de raciocínio dos banqueiros.
O caso da Bracket22 mostra, portanto, uma aplicação mais ampla dos agentes de I.A. no mercado financeiro. Na estrutura criada por Kelly, a tecnologia assumiu funções que antes dependiam de uma equipe de profissionais, enquanto o gestor manteve a decisão final sobre os investimentos.
Fonte: Times Brasil