Como reduzir riscos diante da previsão do super El Niño

O planejamento da próxima safra poderá exigir atenção redobrada dos produtores diante das projeções que indicam a possibilidade de um El Niño de forte intensidade no segundo semestre deste ano. Embora a evolução do fenômeno climático continue sendo monitorada pelos serviços meteorológicos, especialistas defendem que o momento é de preparar as propriedades para reduzir riscos associados tanto ao excesso quanto à falta de chuvas.

Dados da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam elevada probabilidade de fortalecimento do fenômeno entre outubro e dezembro. Caso esse cenário se confirme, diferentes regiões brasileiras poderão enfrentar impactos distintos sobre a produção agrícola.

Imagem mostra formação de áreas aquecidas no Pacífico. Foto: NOAA 

O engenheiro-agrônomo Marcelo Henrique Savoldi Picoli, pós-doutor em Fitopatologia de Plantas e coordenador do curso de Agronomia do Centro Universitário Integrado, explica que o comportamento do fenômeno tende a variar conforme a região. No Sul, o excesso de precipitação pode dificultar operações mecanizadas, atrasar a implantação das culturas de verão e favorecer doenças causadas por fungos e bactérias. Já em áreas do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste e Sudeste, a preocupação está relacionada aos veranicos prolongados, que podem comprometer culturas conduzidas em regime de sequeiro.

Mesmo diante desse cenário, o especialista ressalta que existem práticas capazes de reduzir a vulnerabilidade das propriedades. Entre elas estão o aprofundamento do sistema radicular por meio da correção adequada do solo, a manutenção de cobertura vegetal no sistema de plantio direto, o escalonamento das épocas de semeadura e o planejamento fitossanitário preventivo para culturas mais sensíveis às condições climáticas extremas.

Na pecuária, Picoli recomenda atenção especial aos sistemas de produção intensiva. Segundo ele, granjas de aves e suínos podem demandar investimentos em fontes alternativas de energia para garantir o funcionamento dos sistemas de ventilação e resfriamento durante períodos de temperaturas elevadas. O pesquisador também destaca a importância do seguro rural e do acompanhamento constante das previsões meteorológicas oficiais como instrumentos para reduzir riscos econômicos.

“Enfrentar o ‘Super El Niño’ exigirá resiliência técnica, conscientização coletiva e planejamento antecipado“, afirma Marcelo Picoli. Para ele, mais do que reagir aos eventos climáticos, o desafio é incorporar estratégias permanentes de adaptação que aumentem a estabilidade produtiva diante da crescente variabilidade do clima.

Fonte: Agro Revenda

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