A Lupo decidiu no ano passado transferir parte de sua produção para o Paraguai, a fim de reduzir custos e recuperar competitividade frente a fabricantes chineses instalados no país vizinho. Com investimento de R$ 30 milhões, a fabricante de meias e roupa íntima diz que já reduziu em 15% seus custos e quer chegar em 30% quando a estrutura estiver completa.
Segundo a CEO Liliana Aufiero, a meta é atingir 400 teares em operação. Atualmente, a unidade paraguaia tem capacidade para produzir até 20 milhões de pares de meias por ano, enquanto a produção total da companhia, distribuída entre Araraquara (SP), Itabuna (BA) e Pacatuba (CE), gira em torno de 90 milhões de pares anuais.
A decisão não foi por expansão, mas por sobrevivência. Fabricantes chineses já operam no Paraguai com custos menores e conseguem vender no mercado brasileiro a preços que a Lupo não conseguia acompanhar.
“Isso estava destruindo o nosso comércio. Se ele consegue fazer naquele preço, eu também vou conseguir”, disse Aufiero durante evento do grupo Mercado&Opinião, em São Paulo, segundo divulgado pela revista Exame.
O Paraguai atrai esse tipo de investimento de empresas que buscam isenção na importação de máquinas, matéria-prima e tributação de apenas 1% sobre exportações, condições que o Brasil não oferece.
Aufiero, porém, alertou que a operação é mais complexa do que simplesmente mover equipamentos. “Mudar para o Paraguai não é pegar aqui e levar tudo para lá. É implantar uma nova operação, um novo ambiente, outra infraestrutura”, disse.
A logística é um gargalo. A dependência da Ponte da Amizade, principal ligação entre os dois países, preocupa a executiva. Para ela, a expansão da produção só vai avançar no ritmo planejado se a infraestrutura de transporte evoluir junto.
Fonte: Times Brasil