O crescimento dos carros elétricos no Brasil já começa a transformar a infraestrutura urbana, os condomínios residenciais e até as estratégias comerciais do varejo, afirmou o colunista de tecnologia e inovação do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Igor Lopes. Em sua participação no jornal Real Times desta quarta-feira (27), ele disse que a combinação entre novas regulamentações, avanço da tecnologia e expansão dos carregadores rápidos vem acelerando a adoção desse tipo de veículo no país.
Durante entrevista, Lopes destacou que o mercado brasileiro já começa a tratar o carro elétrico como parte da rotina do consumidor. “O consumidor passa a enxergar o carro elétrico como algo viável dentro da rotina dele”, explicou. Segundo ele, o modelo de carregamento residencial continua sendo o mais confortável e econômico para os usuários.
Condomínios e recarga
O especialista lembrou que, em São Paulo, a legislação já garante ao morador o direito de instalar carregadores em condomínios, desde que sejam respeitadas exigências técnicas e de segurança. Segundo Lopes, isso ajudou a reduzir a resistência inicial relacionada aos riscos de incêndio em garagens.
“Hoje qualquer pessoa que quiser ter um carro elétrico tem o direito de ter”, pontuou. Ele ressaltou que as regras atuais também trouxeram mais segurança jurídica para síndicos e moradores ao estabelecer critérios claros para instalação.
Lopes relatou que a mudança já começa a influenciar diretamente as vendas. Segundo ele, entre os veículos mais vendidos recentemente no país, modelos elétricos já aparecem nas primeiras posições.
Carregadores rápidos
O colunista ressaltou que a infraestrutura brasileira ainda é limitada, mas passa por uma rápida expansão, principalmente na oferta de carregadores rápidos. Segundo ele, esse avanço ocorre porque o tempo de espera é uma das principais preocupações do consumidor.
“Hoje o Brasil já ultrapassa os seis mil carregadores rápidos instalados”, apontou. Apesar disso, ele ponderou que o número ainda é pequeno diante das dimensões do território nacional.
Lopes explicou que os veículos elétricos mais novos já suportam velocidades maiores de recarga, o que também pressiona a infraestrutura a evoluir. Além disso, hubs inteligentes e sistemas com baterias de armazenamento permitem a instalação de recarga rápida mesmo em regiões onde a rede elétrica é limitada.
Segundo ele, muitos consumidores ainda desconhecem diferenças importantes entre carregadores lentos e rápidos, além das especificações técnicas necessárias para aproveitar toda a capacidade dos veículos.
Varejo e oportunidade
O especialista também destacou o crescimento do uso comercial das estações de recarga. Restaurantes, shoppings, farmácias e supermercados passaram a enxergar os carregadores como ferramenta para atrair clientes e gerar receita adicional.
“Muitos negócios já estão percebendo isso”, afirmou. Segundo Lopes, consumidores acabam permanecendo mais tempo nos estabelecimentos enquanto os veículos são carregados, aumentando o fluxo e o consumo.
Ele citou ainda o avanço de modelos de investimento compartilhado em infraestrutura de recarga. Pessoas físicas podem participar financeiramente da instalação de carregadores em redes comerciais e receber parte dos lucros gerados pela operação.
Para o especialista, o consumidor brasileiro começa a entrar em uma nova fase de aprendizado sobre veículos elétricos, avaliando fatores como velocidade de carregamento, autonomia das baterias e infraestrutura disponível antes da compra.
Disputa global
Lopes também comentou o avanço da indústria chinesa de veículos elétricos e a disputa tecnológica global envolvendo China, Estados Unidos e fabricantes tradicionais europeus.
Ele relatou uma conversa com um engenheiro da BMW na Alemanha que avaliava um veículo chinês. Segundo Lopes, o executivo afirmou que os modelos chineses evoluíram rapidamente nos últimos anos. “Em quatro anos esse carro se transformou e hoje está tão bom ou até melhor do que os nossos”, relatou.
O colunista também comentou o anúncio de investimentos da Nvidia em Taiwan para expansão da produção de chips voltados à inteligência artificial. Segundo ele, o movimento reforça a importância estratégica da região e demonstra que a demanda por infraestrutura tecnológica continuará crescendo nos próximos anos.
“Isso prova também a certeza que a Nvidia tem de que inteligência artificial não é bolha”, afirmou.
Fonte: Times Brasil