O mercado de carros elétricos no Brasil tem crescido e ganhado espaço entre os consumidores que desejam investir em um veículo silencioso e sustentável. Entretanto, a compra do modelo enfrenta desafios relevantes no aumento de carga tributária.
Após um período de incentivos, o governo federal voltou a elevar gradualmente os impostos de importação, o que pode impactar diretamente o preço final desses veículos e o ritmo de adoção da tecnologia no país.
Retomada dos impostos muda o cenário do setor
De acordo com informações do Estadão, desde 2015 os carros elétricos contavam com uma redução significativa nas alíquotas de importação, que chegaram a até 0%. Esse cenário favoreceu a entrada de novos modelos no mercado brasileiro e ajudou a popularizar a tecnologia.
No entanto, a política mudou no fim de 2023, com a retomada gradual dos impostos. A previsão é que a tarifa para veículos elétricos puros (movidos apenas por baterias) chegue a 35% até julho de 2026, retomando níveis mais altos em impostos e, consequentemente, aumentando o preço ao consumidor.
Proteção da indústria nacional como principal justificativa
O aumento dos tributos tem como principal argumento a defesa da indústria automotiva brasileira e a preservação de empregos.
Segundo dados do setor, a cadeia automotiva responde por cerca de 1,3 milhão de postos de trabalho no país, algo positivo para a economia nacional.
Com isso, a elevação de tarifas busca equilibrar a concorrência com veículos importados, especialmente aqueles que chegam ao Brasil com subsídios de outros países. Programas de incentivo, como o Mover, tentam estimular investimentos em produção local e inovação, o que atrai novas montadoras para o território nacional.
Impostos pressionam preço final ao consumidor
Apesar de nivelar a questão da concorrência internacional e nacional, o aumento da carga tributária tem impacto direto no bolso do consumidor. Com impostos mais altos, mais carros elétricos importados ficam mais caros, o que dificulta diretamente o acesso ao modelo, afirma a colunista do Estadão Maria Carolina Gontijo.
Especialistas apontam que esse tipo de medida não necessariamente gera competitividade. Em vez disso, pode criar um mercado artificialmente mais caro, atrasando a transição para veículos mais eficientes e sustentáveis, principal atrativo do modelo.
Existe risco de atraso tecnológico no país?
De forma geral, a adoção de políticas que protegem a economia nacional pode resultar em um fechamento de mercados externos e, assim, atrasar o avanço tecnológico do país. Entretanto, a maior preocupação é que a estratégia atual repita esse possível cenário.
Porém, por outro lado, o incentivo à produção nacional também pode gerar frutos positivos para o país. Por exemplo, o desenvolvimento do motor flex demonstra que o Brasil pode avançar ao investir em soluções próprias.
De forma geral, a implementação de maiores taxas tributárias dificulta o acesso ao modelo, além de pesar no bolso do consumidor. Entretanto, o incentivo à produção nacional também pode ser um fator decisivo para a produção de carros elétricos no futuro.
Fonte: Times Brasil