A necessidade de os países ganharem segurança energética em seus próprios territórios por conta das crises geopolíticas acelerou a transição para fontes limpas. Paulo Artaxo, coordenador do Centro de Estudos da Amazônia Sustentável da USP, destacou que a instabilidade no fornecimento de insumos fósseis gerou uma lição global sobre a importância da autonomia mineral:
“Todos os países aprenderam que é estratégico para a sua segurança realizar a transição energética o mais rápido possível e diminuir a sua dependência de petróleo o mais rápido possível. A melhor maneira de você ganhar segurança energética é gerar energia no seu próprio território”, disse em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Artaxo ponderou que, provavelmente, até 2050 não será factível zerar as emissões líquidas globais devido ao apoio político que a maior parte da indústria de petróleo recebe de vários governos importantes no planeta. No entanto, ele destacou que a geração de energia limpa está aumentando significativamente.
O coordenador ressaltou que o encarecimento do barril de petróleo reposiciona as vantagens financeiras das matrizes renováveis, abrindo uma janela de oportunidade essencial para o mercado brasileiro.
Ele afirmou que, devido à atual guerra no Irã, a alta dos preços foi muito acentuada e que também se observa que, do ponto de vista econômico, hoje faz muito mais sentido deixar os combustíveis fósseis de lado e investir pesado em independência energética. “Isso é particularmente importante para o Brasil”, afirmou.
“A exportação de biocombustíveis para a Europa sofre muito da questão de políticas protecionistas de comércio. Agora, o que esperamos é que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, a evolução desse acordo, pode levar a uma produção ainda maior de biocombustíveis no Brasil”, concluiu.
Fonte: Times Brasil