A Braskem enfrenta dificuldades com seus credores para conseguir aprovar pedido de recuperação extrajudicial para as dívidas da companhia. Informações dão conta de que a IG4 Capital, co-controladora da companhia, esteja enfrentando resistência de credores diante de divergências sobre tratamento desigual e ausência de nova injeção de capital na companhia.
Em resposta a reportagem do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC a IG4 afirmou que não vai se pronunciar.
A companhia petroquímica ainda não conseguiu assegurar o apoio de um número mínimo de credores para conseguir aprovar a recuperação extrajudicial. A empresa esperava obter essa aprovação até julho. A dívida da companhia é estimada em R$ 51,8 bilhões.
De acordo com a agencia de notícias Bloomberg, os credores da companhia estão resistindo aos planos porque eles resultariam em tratamento desigual, com detentores de títulos de curto prazo recebendo condições mais favoráveis do que credores de prazo mais longo, segundo as fontes. As garantias oferecidas e a ausência de uma opção para converter dívida em ações também prejudicam as negociações.
Outro ponto é que detentores de dívida atuais reclamam da falta de injeção de dinheiro novo na companhia pela Petrobras e pela IG4, que assumiu o posto da Novonor (ex-Odebrecht) como controladora do negócio. A suspeita é de que elas queiram diluir a participação na Braskem.
Na semana passada, a companhia anunciou que o fundo de investimento em participações Shine I, controlado pela IG4 Capital, registrou um pedido de oferta pública de aquisição (OPA) das ações da companhia junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A operação tem como objeto a compra de 100% das ações ordinárias e preferenciais da petroquímica no mercado.
Papéis renovam mínimas
As ações da petroquímica despencaram 12% na última quinta-feira, após o mercado tomar conhecimento das informações com os credores e dos riscos judiciais em Alagoas.
Analistas do banco suíço UBS BB chamaram a atenção para a situação financeira desafiadora da Braskem no curto prazo, destacando que as incertezas em torno da capacidade da companhia de administrar suas obrigações mais imediatas devem continuar provocando oscilações nas ações, apesar de um ambiente mais favorável para as margens do setor petroquímico.
Gestoras estrangeiras compram a dívida da companhia
Em meio a essas dificuldades, as gestoras Elliott Investment Management e SVP Global compraram recentemente dívidas da Braskem.
As gestoras compraram partes da linha de crédito rotativo de credores existentes, enquanto a Elliott também acumulou posições em alguns dos bonds internacionais da empresa, afirmaram fontes do mercado.
Agora, as gestoras vão contar com um assento na mesa de negociação enquanto a Braskem busca um acordo com os credores.
Fonte: Times Brasil