Pressionada pelas negociações com credores, a Braskem admitiu que avalia novas medidas de proteção contra execuções enquanto tenta chegar a um acordo para reorganizar sua estrutura de capital.
O movimento ocorre com a aproximação do fim da tutela judicial que suspendeu, por 60 dias, execuções e constrições promovidas por determinados credores. Até agora, porém, não há decisão sobre o formato de uma eventual reestruturação.
A manifestação foi feita em resposta a um questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre notícia de que a petroquímica estaria se preparando para pedir recuperação extrajudicial.
Segundo a Braskem, as conversas com credores financeiros se intensificaram nas últimas semanas, mas continuam em andamento.
Credores apresentam propostas
Entre as alternativas colocadas na mesa estão uma eventual capitalização e a utilização de ativos como garantia.
Grupos de credores já enviaram propostas indicativas e não vinculantes, que agora são analisadas pela empresa e por seus assessores financeiros e jurídicos.
As negociações envolvem detentores e gestores de notas seniores e debêntures emitidas ou garantidas pela Braskem.
Antes disso, a petroquímica já havia contratado assessores para avaliar alternativas destinadas a reorganizar sua estrutura financeira.
Proteção judicial se aproxima do fim
Em meio à pressão sobre a liquidez, a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo concedeu uma tutela cautelar que suspendeu por 60 dias determinadas execuções e medidas de constrição.
A proteção alcança credores convidados a participar de uma mediação instaurada pela Braskem e por algumas de suas controladas.
Nos Estados Unidos, o grupo buscou uma medida semelhante. Em 26 de junho, as empresas envolvidas recorreram ao Chapter 15 para pedir o reconhecimento da tutela brasileira.
Quatro dias depois, a Justiça americana concedeu preliminarmente um “automatic stay” pelo mesmo período da decisão brasileira, enquanto analisa o reconhecimento definitivo do processo.
Mesmo com as negociações mais avançadas, nenhum acordo foi fechado até o momento.
A Braskem sustenta que continua buscando uma solução negociada com os credores e afirma que ainda não decidiu se adotará uma recuperação extrajudicial ou outro mecanismo de reestruturação.
Fonte: Times Brasil