O médico Gabriel Variane, MD e PhD, tornou-se o primeiro latino-americano a assumir a presidência da Newborn Brain Society, a principal organização internacional dedicada à neurologia neonatal.
Fundador da PBSF (Protecting Brains & Saving Futures), Variane passa a liderar uma instituição presente em mais de 80 países, responsável por coordenar diretrizes globais para a prevenção e o tratamento de lesões cerebrais em recém-nascidos.
A nomeação marca uma inflexão histórica na governança da entidade e amplia a projeção da medicina brasileira em um dos campos mais estratégicos da neonatologia.
Rede mundial de pesquisa e protocolo neonatal
A Newborn Brain Society reúne médicos, pesquisadores e famílias em todos os continentes, promovendo educação científica, pesquisas multicêntricas e padronização de condutas clínicas para reduzir sequelas neurológicas evitáveis.
Segundo Variane, a missão da entidade é ampliar o acesso às melhores práticas independentemente do nível de recursos de cada país.
“Assumir a presidência da Newborn Brain Society é uma honra que compartilho com toda a comunidade médica da América Latina. Nosso objetivo é democratizar o acesso ao conhecimento e garantir que o cuidado com o cérebro do recém-nascido seja prioridade em escala global”, afirmou.
Tecnologia brasileira ganha escala internacional
À frente da PBSF, Variane desenvolveu metodologias de monitoramento cerebral contínuo em UTIs neonatais, com uso de inteligência artificial, telemedicina e análise de dados multimodais para identificar precocemente crises epilépticas e outras alterações neurológicas.
Com sua chegada à presidência da NBS, essas abordagens passam a ganhar ainda mais visibilidade fora do Brasil, fortalecendo intercâmbios científicos com centros de excelência na América do Norte, Europa, Ásia, África e Oceania.
A organização vê a cooperação internacional como peça-chave para acelerar a adoção de tecnologias de neuroproteção em países com diferentes realidades econômicas.
Impacto global e metas ambiciosas
Estima-se que cerca de 10 milhões de recém-nascidos por ano estejam expostos ao risco de lesões neurológicas graves em todo o mundo, associadas a quadros como paralisia cerebral, déficits cognitivos, cegueira e surdez.
Para Variane, a combinação entre ciência, inovação e padronização internacional pode mudar esse panorama.
“Reduzir sequelas e mortalidade infantil é o meu sonho. Quero levar a zero as deficiências físicas e mentais evitáveis no mundo todo. Rumo a um milhão de vidas”, disse.
Expansão internacional até 2026
Hoje, a PBSF opera uma das maiores redes de neuromonitoramento neonatal do mundo e pretende ampliar sua atuação global nos próximos anos, com foco em novos acordos internacionais, capacitação de equipes médicas e integração de dados clínicos em larga escala.
A presença de um brasileiro no comando da Newborn Brain Society consolida um canal direto entre a ciência produzida na América Latina e os principais centros de pesquisa do planeta, em um momento em que a neurologia neonatal se torna prioridade estratégica para sistemas de saúde e organismos internacionais.
Fonte: Times Brasil