O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua política de defesa sanitária ao formalizar a criação do primeiro banco nacional de antígenos e vacinas contra febre aftosa. O contrato foi assinado nesta quinta-feira (18) pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, em parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).
O banco funcionará como um estoque estratégico de insumos capazes de viabilizar a formulação rápida de vacinas em caso de eventual surto localizado da doença. A iniciativa é considerada fundamental para a manutenção do status do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, reconhecimento concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Estoque estratégico prevê até 10 milhões de doses
O contrato firmado em Brasília prevê a formação inicial de um banco com antígenos suficientes para a produção de até 10 milhões de doses de vacina, abrangendo dois sorotipos do vírus da febre aftosa que historicamente circularam no país. O acordo tem vigência de dez anos e contempla também o fornecimento imediato das vacinas ao Ministério da Agricultura, caso haja necessidade.
A estrutura permite que o país responda de forma rápida e localizada a eventuais focos da doença, reduzindo riscos à pecuária e evitando impactos mais amplos sobre o comércio internacional de carnes.
Cooperação tecnológica com empresa argentina
Para viabilizar o projeto, o Tecpar firmou em março de 2025 um acordo de cooperação tecnológica com a empresa argentina Biogénesis Bagó, responsável pela transferência e internalização da tecnologia necessária para a produção, controle de qualidade e armazenamento dos antígenos.
A companhia atua como parceira tecnológica do instituto paranaense e possui experiência internacional na gestão de bancos de antígenos semelhantes, incluindo operações na Argentina desde 2000 e nos Estados Unidos e Canadá desde 2006, além de países asiáticos.
Manutenção do status sanitário é exigência internacional
Atualmente, o Brasil é reconhecido como país livre de febre aftosa sem vacinação animal, condição que amplia o acesso a mercados internacionais e agrega valor às exportações de carne. A existência de um banco nacional de antígenos é uma das exigências técnicas para a manutenção desse status.
Segundo o ministro Carlos Fávaro, o investimento reforça a credibilidade do sistema sanitário brasileiro. “O Brasil se tornou referência sanitária para o mundo. Ter sanidade e garantia de produtos seguros é parte do processo de conquista e manutenção de mercados. O banco de antígenos é uma medida de preparação para preservar um status que exigiu muito investimento e dedicação”, afirmou.
Impacto para a pecuária brasileira
Para o setor produtivo, a iniciativa traz maior previsibilidade e segurança. De acordo com a Biogénesis Bagó, o Brasil assumiu em 2025 a liderança mundial na produção de carne bovina, com 12,35 milhões de toneladas, superando os Estados Unidos. Nesse contexto, a capacidade de resposta rápida a emergências sanitárias é vista como um fator estratégico.
O Country Manager da empresa no Brasil, Marcelo Bulman, destacou que as principais potências produtoras de carne do mundo mantêm estruturas semelhantes. Segundo ele, o banco brasileiro amplia a proteção do rebanho nacional e reduz riscos econômicos associados a possíveis restrições comerciais.

Segurança sanitária e pesquisa contínua
Além do armazenamento dos antígenos, o modelo prevê investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento para adequar os insumos a diferentes cenários epidemiológicos. O objetivo é garantir que o país esteja preparado para responder a emergências sanitárias sem comprometer sua posição no mercado global.
A criação do banco nacional de antígenos e vacinas contra febre aftosa consolida a estratégia brasileira de prevenção, vigilância e resposta rápida, considerada essencial para a sustentabilidade da pecuária e para a segurança alimentar.
Fonte: Times Brasil