A safra brasileira de cana-de-açúcar 2026/27 deve registrar produção recorde de etanol, com 41,4 bilhões de litros combinando cana e milho. A projeção é da Datagro, apresentada na 19ª CITI ISO Datagro New York Sugar and Ethanol Conference, realizada na última quarta-feira (13) durante a Sugar Week, em Nova York.
A moagem total de cana no país deve alcançar 698 milhões de toneladas, com o Centro-Sul respondendo por 642,2 milhões de toneladas. A produção de açúcar está estimada em 44,2 milhões de toneladas, mas o setor mantém o foco no biocombustível, ao menos nos primeiros meses da safra atual, reflexo da maior competitividade do etanol frente ao açúcar no mix das usinas.
Déficit mundial de açúcar pressiona mercado global
No mercado internacional, a Datagro projeta que o ano-safra 2025/26 encerrará com pequeno superávit de 0,57 milhão de toneladas em valor bruto. O cenário muda de forma expressiva na safra seguinte, com déficit estimado em 3,17 milhões de toneladas em 2026/27.
Os vetores do desequilíbrio são a orientação das usinas brasileiras ao etanol nos primeiros meses da safra, os potenciais impactos da anomalia El Niño na Índia e na Indonésia e as reduções de área plantada na Europa e na Tailândia.
Safra brasileira avança com segunda maior produção histórica
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra brasileira de cana-de-açúcar 2026/27 deve alcançar 709,1 milhões de toneladas, crescimento de 5,3% em relação ao ciclo anterior, configurando a segunda maior produção da série histórica. A área destinada à colheita deve avançar 1,9%, totalizando 9,1 milhões de hectares.
No Sudeste, principal região produtora do país, a projeção é de 459,1 milhões de toneladas, alta de 6,8% frente à safra de 2025/26. A produtividade média estimada é de 80,852 toneladas por hectare, 4,6% acima do ciclo anterior. A recuperação é atribuída à melhora parcial dos canaviais após os impactos climáticos das últimas safras, embora o setor ainda conviva com variabilidade climática elevada.
Biocombustíveis avançam no transporte marítimo
Além do mercado tradicional de combustíveis veiculares, a Datagro aponta uma nova fronteira para o setor. O renovado interesse por biocombustíveis abriu oportunidades nos transportes marítimo e aéreo, com expansão de iniciativas de mistura em diversos países.
Segundo Nastari, o mercado mais promissor é o uso de etanol, metanol verde e biodiesel como substitutos do combustível marítimo. A demanda adicional pode chegar a 1,8 milhão de toneladas de biocombustíveis por ano até 2029 e a 72 milhões de toneladas até 2050.
Fonte: Times Brasil