O armazenamento de energia ganha potencial para se tornar uma nova perspectiva de crescimento no setor elétrico brasileiro. O país possui grandes oportunidades (e necessidades) para habilitar sistemas de armazenamento no curto/médio prazo, podendo viabilizar investimentos de mais de R$ 57 bilhões nos próximos dez anos, segundo um levantamento da consultoria Deloitte.
Com crescimento acelerado das fontes solar fotovoltaica e eólica, fontes de geração variável, que fornecem energia conforme as condições meteriológicas, o armazenamento de energia ganha mais importância, e as baterias entram no olhar dos investidores.
Essa fonte de energia supre o excesso de geração solar e eólica em determinados horários e a falta de energia em outros. Além disso, o estudo destaca que o armazenamento ajuda na transição para um sistema elétrico mais flexível, digitalizado e descentralizado.
Projetos em desenvolvimento
No Brasil, a expansão das renováveis deve continuar em ritmo acelerado. A Deloitte aponta que o país possui uma grande quantidade de projetos em desenvolvimento de geração solar e eólica, além do crescimento da geração distribuída. A expectativa é que a capacidade instalada da micro e minigeração distribuída (MMGD) alcance 69 GW em 2030, representando mais de um quinto da capacidade instalada total do país.
Com essa transformação, o Sistema Interligado Nacional (SIN) vai precisar lidar com uma maior necessidade de flexibilidade operacional. De acordo com o estudo, sistemas de armazenamento, como baterias e usinas hidrelétricas reversíveis, podem ajudar no atendimento das variações de carga, reduzir perdas de energia renovável e melhorar a estabilidade da rede.
Entre as principais tecnologias estão os sistemas mecânicos, químicos, térmicos e eletroquímicos. As baterias, especialmente os chamados sistemas de armazenamento por baterias (BESS), são apontadas como uma das soluções mais promissoras.
No cenário global, a capacidade instalada de armazenamento por baterias em sistemas elétricos cresceu de 1 GW em 2013 para mais de 85 GW em 2023, com cerca de 40 GW adicionados apenas em 2023.
Gargalos
Apesar do potencial, a consultoria ressalta que o setor ainda enfrenta desafios regulatórios. A falta de regras específicas, a dificuldade de definir modelos de remuneração e a ausência de mercados estruturados para controle de frequência e suporte à rede são entraves para a expansão dos projetos.
Para acelerar a adoção dessas tecnologias, o estudo aponta a necessidade de avanços em quatro frentes: criação de um marco regulatório claro, desenvolvimento de mercados de serviços ancilares, aprimoramento dos sinais de preço e adaptação da arquitetura do mercado elétrico brasileiro.
Fonte: Times Brasil