A Amazon apresentou a nova versão do Proteus, seu robô para centros de distribuição capaz de entender comandos em linguagem humana. A novidade reforça o avanço da automação baseada em IA, em um momento em que empresas de diversos setores continuam enxugando equipes administrativas para ganhar eficiência com o uso da IA.
O novo Proteus é um robô autônomo desenvolvido para compreender instruções dadas pelos funcionários de forma simples e conversacional, sem a necessidade de comandos técnicos. Sua principal função é transportar mercadorias dentro dos centros de distribuição. O equipamento foi apresentado nesta quinta-feira durante o evento Delivering the Future, em Londres.
A primeira versão do Proteus começou a operar nos centros de distribuição da Amazon em 2022, auxiliando os funcionários em tarefas como o transporte de carrinhos com cargas de até 400 quilos. Hoje, o robô está presente em 25 unidades nos Estados Unidos, e a nova geração deve começar a ser adotada na Europa no primeiro semestre de 2027.
Segundo a empresa, os funcionários poderão se comunicar com o robô usando linguagem comum, sem precisar recorrer a interfaces de programação ou comandos específicos. A iniciativa faz parte de um plano mais amplo de expansão tecnológica na Europa. Como parte desse projeto, a Amazon também anunciou um investimento de 10 bilhões de euros (US$ 11,6 bilhões) para modernizar sua operação logística na região nos próximos anos.
A empresa também destacou outros avanços na área de robótica, como o Vulcan (seu primeiro robô equipado com senso de tato) e o STARK, sistema desenvolvido para movimentação automatizada de contêineres.
O anúncio acontece em meio ao avanço da estratégia da Amazon de substituir parte das atividades corporativas por soluções baseadas em inteligência artificial. Em outubro, a companhia cortou 14 mil postos administrativos para ampliar os investimentos em tecnologia. Já em janeiro, anunciou mais 16 mil demissões com o objetivo de reduzir camadas de gestão e simplificar processos internos.
No ano passado, o CEO da Amazon, Andy Jassy, afirmou aos funcionários que a inteligência artificial deverá reduzir o tamanho da força de trabalho da empresa nos próximos anos.
“Precisaremos de menos pessoas executando algumas das funções que existem hoje e de mais profissionais atuando em outras áreas”, escreveu Jassy em uma mensagem aos colaboradores. “Ainda é difícil prever qual será o impacto final disso, mas esperamos que, ao longo dos próximos anos, nosso quadro corporativo seja reduzido.”
Especialistas já projetam que robôs equipados com IA poderão superar numericamente a população trabalhadora nas próximas décadas. Um relatório do Citigroup, divulgado em 2024, estima que haverá cerca de 1,3 bilhão desses robôs até 2035 e mais de 4 bilhões até 2050.
Rob Garlick, ex-chefe de inovação, tecnologia e futuro do trabalho do Citi Global Insights, afirmou em fevereiro, durante participação no programa Squawk Box Europe, da CNBC, que muitas empresas tendem a substituir trabalhadores por robôs humanoides porque o retorno financeiro costuma ser mais rápido.
“Vivemos em um sistema econômico que valoriza a lucratividade acima de tudo”, afirmou Garlick. “Quando essa busca por lucro se encontra com uma tecnologia tão poderosa, estamos diante de uma das maiores transformações econômicas da história. A inteligência artificial será capaz de realizar cada vez mais tarefas, com mais eficiência e menor custo, substituindo parte do trabalho humano.”
Jovens enfrentam cenário cada vez mais difícil
No Reino Unido, o número de jovens entre 16 e 24 anos que não estudam, não trabalham e nem participam de programas de qualificação ultrapassou a marca de um milhão até o fim de maio, segundo dados divulgados na semana passada pelo Office for National Statistics.
Além da crescente concorrência por vagas, muitos jovens enfrentam o risco de ver posições de entrada no mercado serem gradualmente substituídas por ferramentas de inteligência artificial.
Para Boumphrey, o cenário já configura uma “crise nacional”. Segundo ele, um dos principais problemas é a falta de preparo dos jovens para ingressar no mercado de trabalho.
“É o resultado de uma geração que cresceu durante a pandemia, em meio aos smartphones e às redes sociais. Acabamos formando jovens cuja principal forma de interação com a comunidade é permanecer sozinhos no quarto, olhando para a tela do celular e passando conteúdo sem parar. Isso traz consequências.”
Apesar das preocupações com as demissões relacionadas à IA e com o desemprego entre os mais jovens, Boumphrey afirma que a Amazon ainda enfrenta dificuldades para contratar profissionais qualificados em áreas técnicas, como robótica e engenharia mecatrônica.
Para reduzir essa carência de mão de obra especializada, a empresa criou mais de 6 mil vagas de aprendizagem profissional no Reino Unido e oferece aos funcionários até £3 mil por ano para cursos e qualificações reconhecidos nacionalmente.
Fonte: Times Brasil