O presidente-executivo da Airbus, Guillaume Faury, reconheceu nesta quarta-feira (10) a possibilidade de a Boeing superar a concorrente europeia na disputa anual por novos pedidos de aeronaves, algo que não acontece há seis anos. A avaliação ocorre em meio ao avanço das encomendas do 787 e ao impacto positivo de negociações tarifárias conduzidas pelos Estados Unidos.
Em entrevista à rádio France Inter, Faury afirmou que a Airbus segue à frente nos volumes entregues e na carteira total de pedidos, mas admitiu que a rival norte-americana pode levar vantagem nas novas encomendas deste ano. De janeiro a novembro, a Boeing acumulou 908 pedidos líquidos, ante 700 da Airbus.
“O fato de termos ficado à frente em pedidos por cinco anos significa que nosso backlog é muito maior que o do nosso principal concorrente”, disse o executivo. “Mas é verdade que eles foram ajudados pelo presidente americano nas negociações tarifárias com vários países, nas quais pedidos de aviões passaram a fazer parte da solução de disputas comerciais.”
Apesar do ritmo mais lento de novas encomendas, a Airbus deve manter o posto de maior fabricante de aviões do mundo, sustentado pelo volume mais elevado de entregas.
Em meio às expectativas sobre uma possível compra expressiva da China, Faury disse não prever, no curto prazo, um novo pedido de “centenas de aeronaves”, mas confirmou que Pequim liberou a entrega de encomendas anteriores. Nesta quarta-feira, a Airbus informou ter obtido sinal verde para entregar 120 aviões já contratados por clientes chineses.
Segundo fontes da indústria ouvidas pela Reuters, a Airbus contava com um pacote de até 500 aeronaves para alcançar suas metas internas de pedidos. A China também negocia com a Boeing uma encomenda de magnitude semelhante.
Fonte: Times Brasil