Agro paulista perde espaço no mercado de trabalho do estado

O agronegócio do estado de São Paulo fechou 2024 com 4,34 milhões de pessoas empregadas, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, calculados em parceria com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O número superou em 0,3% o registrado no ano anterior e representa 15,3% de toda a população ocupada no agronegócio brasileiro.

Os dados são parte de um estudo inédito — o primeiro a mapear sistematicamente a força de trabalho do setor especificamente no estado de São Paulo — e trazem um retrato mais complexo do que o senso comum costuma desenhar sobre o trabalhador do campo.

O que chama atenção nos resultados, segundo os pesquisadores do Cepea, é justamente o perfil de quem trabalha no agronegócio paulista. Longe da imagem de informalidade e baixa escolarização que ainda persiste no imaginário popular, os dados mostram um setor que já opera com uma força de trabalho mais qualificada e formalizada do que se imagina.

Segundo Cepea, 75,3% dos trabalhadores do agronegócio paulista possuíam ensino médio ou superior em 2024 — índice que rivaliza com setores urbanos tradicionais e impõe ao produtor rural uma nova realidade na gestão de pessoas.

Além disso, 54,7% atuavam com carteira assinada e 60,1% eram homens. A predominância masculina ainda é expressiva, mas o alto nível de formalização contratual aponta para um setor que vem se adequando às exigências trabalhistas — e que, por isso mesmo, compete com a indústria e os serviços pelos mesmos profissionais no mercado.

Agro perde espaço como empregador

Apesar dos números expressivos, a análise de longo prazo revela um desequilíbrio preocupante. Entre 2012 e 2024, a população ocupada no agronegócio paulista cresceu apenas 4,6%. No mesmo período, a população total do estado avançou 18,9% — quase quatro vezes mais.

Nos últimos dois anos (2023-2024), o contraste se repete: enquanto o agronegócio cresceu 0,3% em termos de empregos, a população total do estado registrou alta de 2,2%. Para os pesquisadores do Cepea, seja no médio prazo ou no último período analisado, o agronegócio perdeu espaço como empregador dentro da economia paulista.

Por que importa para o produtor?

Menos participação relativa no mercado de trabalho significa maior concorrência com outros setores pelos mesmos trabalhadores. Quando a indústria e os serviços crescem mais rápido, oferecem alternativas à mão de obra que poderia ir para o campo — e isso pressiona salários, eleva rotatividade e dificulta a retenção de equipes qualificadas na propriedade rural.

Quem cresceu e quem recuou em doze anos

A análise por segmento entre 2012 e 2024 revela comportamentos opostos dentro do próprio agronegócio paulista.

O crescimento dos agrosserviços e das indústrias de insumos reflete a tendência de especialização e tecnificação do setor — mais máquinas, mais insumos, mais serviços de consultoria e logística. Já a queda acumulada na agropecuária e na agroindústria indica que a mecanização e a automação já reduziram a demanda por trabalho braçal tradicional, mas ainda não geraram postos suficientes para compensar a retração.

Fonte: Agrolink

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